Dias de rock, protesto, Rocinha e poucas divas in Rio

Dias de rock, protesto, Rocinha e poucas divas in Rio

Sonia Racy

26 de setembro de 2017 | 10h20

PAOLA OLIVEIRA, NO ESPÍRITO DA CIDADE DO ROCK. FOTO BRUNO RYFER;

Foram sete dias de pauleira. E nenhum hit, no agito do Rock In Rio, superou… “Fora Temer”. Ele esteve presente em todos os palcos. Elba Ramalho foi ovacionada pelo público que puxou o grito geral, acrescentando “…e todos esses ladrões”. No camarote de uma marca de salgadinhos, ele teria sido hit também em um muro livre para pichações, não fosse a censura dos funcionários que apagavam os protestos.

A palavra “censura” ganhou força após a polêmica com o cancelamento da mostra Queermuseum, do Santander, em Porto Alegre. O ator Silvero Pereira, fenômeno da novela das 9, decretou “momento de atenção”, dizendo que era preciso “fazer barulho contra toda e qualquer forma de censura”. Do que ele mais gostou? “Do Aerosmith”, disse sobre a apresentação da quinta-feira.

Na sexta, quando o Rio parou com a violência na Rocinha, os transportes públicos começaram o dia devagar, quase vazio no início de tarde. As pessoas ainda chegavam à Cidade do Rock, mas na plateia do Baiana System já circulavam atores como Mauricio Destri ­­– já sem os cachos de seu personagem de E os Dias Eram Assim –, Alice Wegmann, Agatha Moreira com o namorado Pedro Lamin, a diretora de novelas Maria de Médicis e a sambista Teresa Cristina. Alice, que se jogou sem medo na rodinha do Baiana, recomendava à amiga Agatha que tomasse cuidado. Motivo: suas argolas enormes poderiam machucar as orelhas no agito da multidão.

O elenco de A Força do Querer, sucesso na faixa das 9 após a queda de audiência de seguidas tramas, compareceu em peso: Juliana Paes (que quase encarou a tirolesa da Heineken), Emilio Dantas com sua namorada Fabíula Nascimento, mais Silvero Pereira, Carol Duarte e Paolla Oliveira, esta fazendo graça diante dos cliques.

Foi forte o coro dos que lembraram que a música brasileira deve ser mais valorizada. O show do Baiana System, por exemplo, foi reclamado por muita gente para um horário mais tarde e no palco principal. Anitta, que teria sido convidada por Roberto Medina a fazer um show mais pop e teria recusado a proposta, também foi muito solicitada na plateia, assim como Pabllo Vittar, a drag queen que chegou mais longe na história brasileira – e que tocou num palco indigno num dia e fez uma participação de última hora no show de Fergie.

Por muitas vezes, a sensação foi de que o Palco Sunset, de curadoria de Zé Ricardo, roubou a atenção do Palco Mundo, que repetiu atrações já exibidas em anos anteriores.

E faltaram divas, não há como negar. Sem Lady Gaga (que cancelou na véspera), sem Beyoncé nem Rihanna, musas das edições anteriores, o festival perdeu um pouco de seu glitter. Mas está tudo certo e combinado pra se repetir a dose em 2019. / PEDRO FRANÇA, ESPECIAL PARA A COLUNA.

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