Desenho de vida

Desenho de vida

Sonia Racy

20 de maio de 2014 | 01h15

Foto: Divulgação

Aos 91 anos, Jorge Hue (à direita na foto, com o amigo Sérgio Rodrigues) estará em SP amanhã, onde inaugura, no Studio Esther Giobbi, exposição de desenhos criados há mais de 60 anos– com direito a palestra. Um dos arquitetos mais importantes do País, o carioca conversou com a coluna por telefone.

O que representa essa exposição cuja curadoria foi feita por Vik Muniz?

Esses desenhos existem por causa do cuidado do meu filho José, que os guardou e os reuniu.

O senhor fez uma seleção?

Não, não. Será uma surpresa para mim também.

Continua desenhando?

Todos os dias.

Sergio Rodrigues já disse que o senhor é um “intérprete da convivência brasileira”. Como traduz essa afirmação?

A vida é um permanente desafio, e eu sempre quis ser contemporâneo de tudo que está à minha volta.

Como foi trabalhar com Lucio Costa, que o senhor considera “um pai espiritual”?

Era uma relação de pai e filho em que ambos aprendiam. Ele não respondia imediatamente a uma pergunta de um jovem pupilo. Através de seu raciocínio, instigante e amoroso, ia se envolvendo. Na medida em que se interessava, acabava por recriar a resposta.

E Oscar Niemeyer?

A coragem dele era inacreditável, assim como sua juventude, até o fim.

O que achou da tentativa de alguns manifestantes de atear fogo no Palácio do Itamaraty, durante as passeatas de junho do ano passado?

Fiz uma série de restauros lá, sabe? Aquilo me apavorou. Uma selvageria, o cataclismo. Uma desconsideração ao gesto humano, à beleza, ao símbolo, a tudo.

Há algum projeto novo na sua prancheta?

Não tenho prancheta(risos). Mas tenho projetos, sim. Um deles iniciei há muito tempo atrás – acabou vítima de uma certa preguiça, confesso. Trata-se de um livro que abrange 200 anos da aventura estética, de 1715, ano da morte de Luís 14, até a modernidade. E o personagem que leva o leitor por essa história é a cadeira. Interessante, não? /DANIEL JAPIASSU

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