“Desculpem a má comunicação”, diz Bia Doria

“Desculpem a má comunicação”, diz Bia Doria

Sonia Racy

25 de julho de 2020 | 00h55

BIA DORIA – FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Estava marcado para hoje, encontro entre Bia Doria e o Padre Lancellotti para dar início a um programa amplo de oferta de cursos profissionais e trabalho à população de rua. Esse projeto pretende abrir, somente no mês de agosto, mil vagas aos 24 mil moradores de rua da cidade de São Paulo. Entretanto, a agenda foi adiada para o próximo mês. Com isso, o governo do Estado terá mais tempo na organização do processo que será, pela primeira vez, conduzido por meio do Fundo Social, presidido pela primeira-dama. “Estou muito entusiasmada com o desenho da proposta”, disse Bia, ontem.

A presidente do Fundo Social reconhece que tem dificuldades em se comunicar. E que isso acaba gerando celeumas e ataques de terceiros. A última confusão se deu por causa da recente conversa com Val Marchiori. Bia declarou à socialite que não se deve dar marmitas para moradores de rua “porque as pessoas gostam de ficar na rua” e que “elas têm que se conscientizar e sair dessa situação”.

Por meio da coluna, Bia pede desculpas. “Má comunicação”. Segundo ela, o que quis dizer “é que não adianta somente alimentar quem está na rua, moradores precisam aceitar ajuda para melhorar de vida e buscar trabalho – que é o que pretendemos fazer por meio deste novo projeto.

Não é de hoje que a fala de Bia Doria gera polêmicas. Quem trabalha com ela no Fundo Social reconhece seus esforços, mas sabe que ao tentar explicar algo, a artista plástica se atrapalha. “O que eu defendo hoje vai além do prato de comida. Nós temos que fazer essas pessoas voltarem para as suas famílias ou ajudar na obtenção de um trabalho. Elas estão muito expostas e têm que ser acolhidas de outra maneira” coloca, nos is.

Emprego em tempos de pandemia? “Estamos oferecendo frente de trabalho. Fabricamos e doamos máscaras, itens de higiene em uma mochila. Mais cobertor. Precisamos de ajuda na distribuição”. Vão pagar por isso? “O governo tem pago, por meio de outro projeto, o trabalho em diversas frentes dentro da Secretaria de Desenvolvimento. Esse programa não é novo, se chama Frente de Trabalho. Foi criado, se eu não me engano, por Mário Covas. Mas ele estava adormecido. Nessa gestão, o governo já abriu 11,3 mil vagas nos cursos do Paula Souza”.

Hoje, segundo Bia, além das mochilas pelo Fundo Social, há alimentação grátis no Bom Prato. “Eles podem e devem também buscar apoio social no seu próprio município, em cada estado. O governo federal também está fazendo isso”. Na sua opinião, os governos, em geral, têm que tratar morador de rua além de “um prato de comida”. “São cidadãos com problemas e por motivos muito diversos, vão parar na rua”.

Bia conta que trabalha todos os dias, inclusive sábado e domingo. “ Vou cedo para meu atelier, trabalho uma hora, pois tenho que manter o meu trabalho porque aqui minha função é passageira, né?”. Ela e suas 73 assistentes no Fundo Social usam máscara e fazem testes uma vez por semana.

Acha que as pessoas estão mais solidárias, isso se reflete na arrecadação para o fundo? “Sim, conseguimos, nessa pandemia, R$ 46 milhões e olha que muito, mas muito disso, é dinheiro de gente que doa R$ 10,00, R$ 20,00 e R$ 50,00. Todo dia pinga uma contribuição na conta do Fundo”.

Você se acostumou na função de primeira-dama? “Foi complicado, mas depois que eu entendi o funcionamento do governo, estou conseguindo realizar ações concretas”. Fica incomodada com os boatos, que vão e voltam, de que você e o João se separaram? Como é que você encara isso? “Fofocas, né? Olha, o João ficou umas noites dormindo aqui no Palácio por conta de excesso de trabalho e ai veio a fofoca. Temos uma família sólida, isso não me aflige ou me atinge”.

E aí, está preparada pra fazer campanha para Presidência da República? “Ai meu Deus. Sonia, estou tão focada aqui em São Paulo que eu não penso nisso não. Eu não  entendo de política, só to no social. Esse Estado me deu a visão da amplitude do problema social. Arrumando o nosso Estado a gente arruma o resto”.

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