Desconstruindo Alan Greenspan

Desconstruindo Alan Greenspan

Redação

17 de setembro de 2008 | 14h51


Por Sebastião Moreira/AE

José Scheinkman, economista brasileiro radicado na Universidade de Princeton, está entre os que esperavam o estouro da bolha imobiliária há quase quatro anos. “Mas não do tamanho que a crise mostra”, ressalvou ontem, de Nova York. A contaminação do estouro está sendo muito maior do que qualquer teórico ou prático poderia imaginar. E, no atual cenário, não há como prever a proporção que ela ainda vai tomar. “É difícil fazer um diagnóstico, ainda que impreciso”, pondera Scheinkman, conhecido pela cautela no exercício da futurologia.

Culpados? Já em 2004, Scheinkman discordava de Alan Greenspan, quando o então presidente do Fed, descartava qualquer possibilidade de formação de uma bolha imobiliária no horizonte. “Ali, o problema no real estate (mercado de imóveis) se misturava com a difícil situação fiscal americana”, lembra o brasileiro.

Scheinkman é defensor de maior regulamentação dos mercados, linha ideologicamente contrária à de Greenspan, que tem (ou tinha?) a auto-regulação como verdade, em sintonia com o pensamento de George Bush. “Juntou-se uma situação delicada com um governo incompetente. E está aí o resultado.” Não que a crise pudesse ser evitada. Mas sua magnitude, sim.

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