Demanda de ovos cresceu 30% na pandemia do coronavírus

Demanda de ovos cresceu 30% na pandemia do coronavírus

Sonia Racy

18 de abril de 2020 | 00h52

LEANDRO PINTO – FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Ação conjunta do Grupo Mantiqueira com a Fazenda da Toca – leia-se Pedro Paulo Diniz – deu o start, esta semana, na doação de 1,2 milhões de ovos. Eles estão sendo entregues a 100 mil famílias por meio dos projetos União Rio e União São Paulo. “Os ovos, fonte de proteína super saudável, muito rico em vitamina D, são ajuda para quem não pode sair de casa e tomar sol. Eles entram reforçando as cestas básicas”, contou à coluna Leandro Pinto, fundador do Mantiqueira – maior produtor de ovos do Brasil. O empresário é dono de 11 milhões de galinhas que possibilitam venda anual de… 2,3 bilhões de ovos distribuídos pelo País.

A demanda por essa fonte de proteína, segundo Pinto, cresceu nada menos que 30% no Brasil em tempos de coronavírus. “Virou semana de Natal, tradicionalmente, a mais forte do setor”, destaca o empresário. E o consumo não aumentou só no País. Hoje faltam ovos nos Estados Unidos, na Inglaterra, Argentina, no Paraguai, América do Norte e na Europa. Na Ásia? “Desconheço, mas o que eu sei é que as pessoas mudaram a matriz de consumo. Antes elas comiam fora e agora tem que comer em casa, né?”

O crescimento da produção da Mantiqueira, entretanto, não foi equivalente ao da demanda. “A implantação de cadeia produtiva de ovos demora oito meses, ela não é tão rápida quanto a do frango”, compara Pinto. “O ciclo do frango é 45 dias e o da galinha são 2 anos, algo como 720 dias. Não tem como colocar a galinha em um confinamento e fazer acontecer”.

Qual foi o aumento do preço do ovo, na ponta, pós-efeito do coronavírus? “Algo na faixa de 25% a 30%, mas os custos de produção vieram a reboque por conta do dólar. Tínhamos um dólar de R$ 4 e hoje ele está na casa dos R$ 5,20, uma alta também de 30%. Como nosso milho é exportado, nossa soja é exportada e as vitaminas que vêm da China, nossos custos estão atrelado à cotação do dólar. Com o problema do vírus, o preço dos insumos, que significam 65% do nosso custo, explodiram. Para você ter uma ideia, nós estamos mais pobres que em 2013”.

Explica melhor. “Peguei um gráfico de 2013 para cá. Vi o preço do dólar, do quilo da caixa de ovo, do saco de milho, do farelo de soja e constatei isso. Olha, uma tonelada de farinha de carne que custava mil reais há dois meses hoje sai por R$ 1,7 mil. Por que? Porque o abate bovino não está acontecendo e, pelo que eu saiba, não inventaram a regra que anule a lei da oferta e procura.”

Com essa fase boa em termos de demanda, Pinto manteve investimentos na produção previstos na Mantiqueira antes da covid-19. Mas, mesmo com o atual impulso de vendas proporcionado pelos vírus, o empresário suspendeu todos outros aportes.

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