“Deixei alguns presentes na Papuda. Os políticos que quiserem ir buscar…”

“Deixei alguns presentes na Papuda. Os políticos que quiserem ir buscar…”

Sonia Racy

25 de dezembro de 2013 | 01h00

Foto: Iara Morselli/Estadão

O bom velhinho revela, com exclusividade, que vai mudar o domicílio eleitoral parao Brasil, mais precisamente, para o Rio. Ele quer votar em Joaquim Barbosa.

Papai Noel está um pouco inseguro este ano. Quando recebeu esta coluna, semana passada, estava com matéria da agência Broadcast na mão. Ela destacava os maiores erros de política econômica no Brasil em 2013. “Isso me preocupa”, ponderou. “Temo pelo Natal de 2014 e 2015.”

O Bom Velhinho fez seus próprios cálculos sobre o PIB, o déficit fiscal, a inflação, o câmbio. Colocou tudo na mesma panela e… nada. O caldo ficou escuro, nebuloso, ainda mais em se tratando de fazer previsões para um ano de eleição.

Vamos aos melhores momentos da conversa.

Papai Noel, cá entre nós, me conte: o senhor vai se desviar do seu roteiro natural e dar uma passadinha pelo presídio da Papuda?

Vou tirar aqui do meu saco alguns presentinhos e distribuir por lá na madrugada do dia 25. Não sei se eles vão gostar muito do que vou dar, mas é o que temos.

Que presentinhos são esses que o senhor escolheu?

Para o José Genoino, comprei uma capa mais bonita se comparada àquela com a qual ele saiu na foto – que era muito chinfrim. Já para o Zé Dirceu, pensei muito e decidi pagar uma plástica nova. Ele não vai mais poder sair com essa cara que ele tem. Mas, pelo que sei, não vai se incomodar em mudar de rosto outra vez.

O senhor acha que, se os presos não o reconhecerem, vão tratá-lo melhor?

Não, não, não. É mesmo porque essa cara de pau dele está mais do que vencida. Tem de trocar, mudar, mas ele vai usar o mesmo material. Não tem como.

E para os ministros do STF, o que o senhor vai dar? Eles vão enfrentar outra maratona, a do mensalão mineiro.

Red Bull na veia, para poder aguentar, ter disposição.

Quantas caixas?

Ih, muitas. Sugiro até patrocínio da Red Bull. Só não pode misturar com vodca.

O ministro Joaquim Barbosa merece presente especial?

Beijos e abraços de todos os brasileiros.

Ele merece ser candidato à Presidência também ou não?

Já é meu candidato. Esse aí é o cara. (risos)

Mas e, agora, em 2014, o senhor vai votar em quem?

No Barbosão, já disse.

Mas ele não é candidato…

Voto nele assim mesmo. Sou o Papai Noel, tenho poderes.

Papai Noel pode ter candidato? Não dá problema lá na política do Polo Norte?

Não, tô transferindo meu título para cá. Já cadastrei minhas digitais e tudo o mais.

E para Dilma, o que dará de presente este ano?

Estou pensando em fazer o seguinte: vou passar no presídio da Papuda e deixar todos os presentes lá. O político que quiser pode ir buscar o seu. Quem sair com presente, saiu; quem não conseguir sair… que fique mesmo por lá. Vai ser legal, vamos ver quem sai.

Aqui em São Paulo, o governador Geraldo Alckmin me confessou que quer ganhar tudo, menos um trenzinho novo.

Darei para o Alckmin um apartamento no Leblon, onde mora o Sergio Cabral, para ele saber o que é bom para os ouvidos. Outra opção, pensando bem, seria dar o próprio Sergio Cabral para ele acomodar em alguma secretaria em São Paulo.

Esses presentes que o senhor distribui, passaram por licitação no Polo Norte? Tem certeza de que não houve cartel?

Tenho certeza. Cuidei de tudo direitinho. Porque o preço aqui ainda é justo, não é como os preços no Brasil, não. Aqui a gente paga o imposto na hora, sabe para onde o dinheiro vai. Não é que nem aí, não. O Polo Norte está bem servido.

Como o senhor sabe que não teve cartel, que as empresas não fizeram nada errado?

Não fizeram, não, porque eu vou pessoalmente comprar. Não mando secretário… Eu verifico e comparo preços. Não tem problema nenhum.

E para o Alexandre Padilha, o que o senhor separou?

Darei aquele kit de operação, sabe qual é? O que não pode tocar no lado, que apita. Vou dar aquele kit, mas com as instruções todas em espanhol – para ele poder entender direitinho o que os cubanos falam.

O senhor vai dar alguma coisa para a Marina Silva?

Um dia em um spa de beleza. Com tratamento de pele e tudo mais que ela tiver direito.

E para o Eduardo Campos?

Um galo da madrugada bem grande, para ficar na porta da casa dele cantando o dia todo.

E o Aécio, ganhará o quê?

Um queijo coalho.

E para o Lula? Tem alguma coisa especial para ele?

A barba, porque está muito feio só de bigode. Estou chateado porque tirou a barba. Ele se parecia tanto com o Papai Noel; agora, nem eu o reconheço mais.

Quer dizer, então, que o senhor vai se tornar brasileiro?

Vou votar no Brasil para dar uma força. Vocês estão precisando. De repente, o Papai Noel – que tem muitos contatos – consegue dar um moral.

Mas para onde você está transferindo o seu título? É para o Rio de Janeiro?

Vou para o Rio, sim, mas não moro perto do governador de jeito nenhum.

E o IPTU, aumentou aí no Polo Norte, Papai Noel?

Aqui o preço está bacana, não é como em São Paulo, que o valor do IPTU dá para comprar um iglu no Polo Norte. Um de três quartos, cozinha, piscina aquecida, com esquimó de funcionário e tudo.

E como está a questão dos empregados domésticos no Polo Norte, Noel?

Ah, o pessoal aqui está dentro da lei. Eu pago direitinho, 13º, férias, FGTS, horas de descanso, tudo certinho, senão eles me botam na Justiça. Aqui a coisa funciona.

Já enfrentou greve aí?

Aqui não dá para fazer greve, porque é muito presente, muito presente para dar. Senão desanda o caldo. Então, a gente resolve antes qualquer pendência. Nós somos organizados, não deixamos nada para a última hora. Somos prevenidos. E conversamos muito, caso contrário os duendes não vêm nem trabalhar.

Papai Noel, quem fez manifestação pacífica no Brasil, este ano, vai ganhar o quê?

Espaço na mídia e alto-falante, para continuar se manifestando, e o aplauso de toda a população. Ah, e cada manifestante ganhará um segurança particular, para não apanhar da PM.

E quem, como os black blocs, destruiu propriedade pública e privada, vai ganhar o quê?

Uma cela em frente à do José Genoino e do José Dirceu, lá na Papuda. Quem sabe eles não passam a depredar as celas uns dos outros.

Eu estou pensando em fazer uma biografia sua, Papai Noel. O senhor me autoriza ou vou ter de publicar sem autorização?

Vamos fazer o seguinte: eu deixo você escrever a minha biografia, autorizo, deixo até gravar a entrevista comigo; e, daqui a uns dez anos, quando a biografia for publicada, nego que dei a entrevista e digo que não autorizei coisa nenhuma. E não adianta vir com prova de que você tem a entrevista gravada, porque todo mundo no Brasil se veste de Papai Noel, até para ir ao supermercado. Então, vou dizer que não fui eu, e sim um clone meu.

E o Roberto Carlos está merecendo ganhar uma biografia não autorizada publicada?

Pô, bicho, muitas emoções. Acho que sim. (risos)

O pessoal do Procure Saber – Paula Lavigne, Caetano, Chico e tal –, que acabou se engajando nessa briga contra as biografias, vai ganhar o quê do Papai Noel?

Uma biografia para cada um. Não autorizada, é claro

Escrita pelo Papai Noel?

Por mim. Vou inventar todas as histórias possíveis.

E a Daniela Mercury? Ela ganhou um novo amor. Isso já é suficiente ou o senhor vai dar mais alguma coisa para ela?
Apoio. Só isso. Todo o apoio. Amar é maravilhoso.

O papa é argentino, o Messi é argentino. A Copa vai ser do Brasil, Papai Noel?

Ah, vai. Com certeza. E eu adoraria que fosse contra o Uruguai, para que o Brasil pudesse se vingar de 1950.

O senhor acha que tem chance de o Neymar ser o melhor do mundo, passar o Messi?

Pra mim, já é. Até porque, vou confessar: Papai Noel é que nem os brasileiros, tem uma implicância, um nariz torto, com a Argentina.
E em relação à infraestrutura da Copa, Papai Noel? Acha que os turistas estrangeiros vão ter onde dormir? O Brasil está preparado ou o senhor vai ter de dar uma mãozinha?

Vou ter de dar muito saco de dormir. E saco também… para eles aturarem os problemas que vão enfrentar já no aeroporto, logo depois de desembarcar.

Dois tipos de saco…

Dois tipos!

Pergunta: pega a TV Globo no Polo Norte?

Sempre.

Então, o senhor conhece o Félix, vilão da novela Amor à Vida.

Sou noveleiro, como é que eu não vou conhecer o Félix…

E ele vai levar o quê de presente de Natal?

O ator (Mateus Solano) vai levar o prêmio de melhor do ano; já o personagem tem de levar uma surra, para aprender a não ser safado.

O que o senhor vai dar para esse pessoal que faz arrastão no Rio, Papai Noel?

Prefiro presentear quem vai à praia. Vou dar um daqueles cofres de hotel, sabe? Um para cada banhista. É só enterrar na areia e, na hora que o arrastão começar, colocar tudo lá dentro.

E para o Eike Batista, Noel? Ele não passou um ano tão bom. Vai ganhar o quê?

Vou dar uma linha de crédito pro Eike. No Polo Norte… ele vai ter de ir pra lá. Vai ter de achar minérios e petróleo lá na minha terra.

E para o mundo? O que o senhor pretende dar?

Estou pensando em dar consciência para os nossos jovens, para que pensem no planeta, que está muito castigado. E para que deem um tempo na internet, parem de pensar besteira e comecem a investir mais no social, olho no olho, na amizade verdadeira, em coisas boas para o mundo.

Mas, Papai Noel, quem ler essa sua resposta vai pensar que o senhor está dizendo isso porque é velho, não consegue acompanhar a tecnologia…

Imagina! A tecnologia é ótima, me ajuda muito aqui no Polo Norte. Mas apenas tecnologia, sem amor, não leva a lugar nenhum.

Papai Noel quer deixar mais alguma mensagem?

Um feliz Natal para todo mundo e que 2014 seja um ano maravilhoso, de muita mudança, e que a gente tenha muita consciência na hora de votar.

Para encarnar o Papai Noel este ano, a coluna convidou o humorista Leandro Hassum, da TV Globo

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