Debate centrado em costumes favoreceu Bolsonaro, diz analista

Sonia Racy

07 Outubro 2018 | 00h54

RENATO MEIRELLES FOTO: IARA MORSELLI/ESTADÃO

Na leitura de Renato Meirelles, do Instituto Locomotiva, uma razão essencial para Bolsonaro chegar aonde chegou é que o debate eleitoral se concentrou mais em costumes e muito pouco em políticas de Estado. E ele completa essa análise que fez para a coluna com outra consideração: há uma faixa de lulistas que não é do PT, é conservadora… Daí, a “herança” de Lula para Haddad ter empacado nos 25% nas pesquisas.

Bolsonaro, de
‘outsider’ a mito

Meirelles faz um flash back. No começo da campanha se dizia que o eleitor queria muito um outsider – e só havia velhos nomes. Depois, o episódio da facada em Bolsonaro “consolidou sua imagem de antiestablishment, ele virou mito, defensor da família”.

Mas o brasileiro, adverte o analista, “também defende um papel maior do Estado, pois ele é muito dependente dos serviços públicos”.

No segundo turno, debate entre
costumes e políticas de Estado

E o que isso significa para o segundo turno? “Que se a pauta dominante for de costumes, Bolsonaro começa forte. Mas se for o peso do Estado…” Meirelles dá exemplos: o PT ganhou as quatro últimas eleições defendendo Fome Zero, Bolsa Família. Dilma foi reeleita, mesmo com alta rejeição, falando em ProUni, Pronatec, Minha Casa… Não havia agenda conservadora.

E Haddad poderia repetir a receita? O analista avisa que cresce no eleitorado “uma vontade de saber quem vai resolver sua vida”. Se o debate for mais sobre futuro do que passado, o petista tem mais chão. Num cenário assim, restaria a Bolsonaro ter de provar que tem estratégias para o futuro também.

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