De volta ao Brasil, Gigliola Cinquetti não vê ‘barreiras’ entre gerações

Sonia Racy

06 de novembro de 2017 | 13h03

GIGLIOLA CINQUETTI / FOTO DUEMME MUSIC

 

Em tempos de internet, “não há mais barreiras, mesmo na música, entre gerações”. Essa é a percepção da cantora italiana Gigliola Cinquetti, a dois meses de completar 70 anos — e que ainda adolescente, lá pelos anos 1960, encantou a Itália, a Europa e plateias do mundo inteiro com sucessos como Dio, Come Ti Amo e Non Ho l’Età — dos quais vendeu de 4  a 5 milhões de cópias, em 120 países. De volta ao Brasil, onde esteve há 40 anos, a garota-sensação dos festivais de San Remo dos anos 60 estreia nesta quarta, dia 8, em São Paulo, no Teatro Bradesco. Depois, continua a temporada no Rio, em Porto Alegre e outras cidades.

Em conversa com a coluna, Gigliola admitiu, no entanto, que os tempos são outros. “Hoje se produz música de uma forma consciente, mais adequada para os ritos de uma sociedade de massas”. No passado, “procurava-se alguma coisa mais autêntica”.

Você fez sucesso numa época de ouro da música italiana, ao lado de ídolos como Domenico Modugno, Sergio Endrigo, Rita Pavone, entre outros. Eram tempos melhores? As plateias de hoje se lembram?
O público hoje não só se lembra, mas redescobre os artistas do passado. Não existem mais barreiras entre gerações. É um fenômeno que acontece não apenas na Itália, mas em todo o mundo. Eu acredito que a internet facilitou esse fenômeno, mas isso não seria o suficiente para explicá-lo.

Acha que é também um pouco de nostalgia?
Nem pode ser simplesmente tratado como nostalgia. Hoje se produz música de forma consciente, mais adequada aos ritos de uma sociedade de massas. No passado, procurava-se algo que hoje não existe mais – alguma coisa mais profunda e autêntica.

Você deixou a carreira pelo meio, para cuidar da família e depois voltou. Isso atrapalhou sua carreira?
Não, acho que até enriqueceu…

Você incluiu em seu último CD músicas pop e mais recentes. A nova receita deu certo?
A música contemporânea faz parte da minha vida como da de todos nós. Ela cresce, muda, mas eu sou eu… sempre. Na verdade, eu fiquei feliz por estar de volta a um estúdio de gravação e me ver novamente imersa na música.

Em que países o tipo romântico que a consagrou é mais valorizado hoje?
O que posso dizer é que, no último ano, fiz concertos na Espanha, Japão e França. No ano passado também estive na Colômbia – e é maravilhoso sentir-me bem-vinda em todos — são tantos lugares, tão distantes, tão diferentes. Significa que, em verdade, não estou tão longe assim dessas pessoas.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: