De olho no Brasil

Sonia Racy

16 de novembro de 2012 | 02h20

RODRIGO ZORZI

À frente da criação da Paco Rabanne, Lydia Maurer passou por SP para exibir a coleção da marca, terça, na galeria de arte Sérgio Caribé. O local foi escolhido a dedo. Lydia gosta de manter a paixão pelas artes, cultivada pelo fundador da grife.

Filha de uma colombiana e de um alemão, a estilista conversou com a coluna antes do desfile e falou sobre a transição da marca. “Queremos fazer roupas não só para a passarela, mas possíveis de usar em qualquer ocasião”, diz.

Uma das marcas da Paco Rabanne é a mistura de moda e arte. Como as duas coisas se aproximam?

Acontece quando há uma intenção por trás do desenho. A moda não pode se resumir a produzir beleza ou fazer roupas. Mas, sim, possuir uma intenção visual e emocional. Se faz arte quando é possível traduzir isso no produto, na forma, nas cores e também no desfile.

Quais são os maiores desafios que você enxerga comandando a criação da PR?

Paco Rabanne é exatamente a mistura de arte e moda. Ele quebrou muitos paradigmas. Quando criava, não queria, necessariamente, vender suas roupas. Era um artista que queria fazer vestidos lindos. Veio de uma formação de arquitetura e sua ideia era produzir objetos de desejo, criar um sentimento de “todos queremos isso”. Para mim, o maior desafio é manter a herança de Paco, sua identidade e, ao mesmo tempo, conseguir desenvolver coisas novas. Tornar as roupas mais possíveis de serem usadas no dia a dia.

Você conhece alguma coisa sobre a moda brasileira?

Conheço algo. Francisco Costa, que faz um trabalho maravilhoso na Calvin Klein. Pedro Lourenço, que tem um trabalho interessante. Vi a loja de Reinaldo Lourenço, seu pai. Os estilistas brasileiros estão crescendo de modo pouco usual, sempre ligados à arte. Isso se sente profundamente em São Paulo.

E está nos planos da empresa trazer a marca para cá?

Sim. Mas é um projeto a longo prazo. Antes, queremos nos concentrar em tornar a Paco Rabanne algo relevante. Isso tomará alguns anos. E, claro, Brasil é um dos pontos em que pensamos, pois está forte. As mulheres aqui gostam de se vestir bem. É uma característica da mulher latina: aprecia roupas bonitas. E Paco Rabanne é isso.

E para qual mulher é feita a roupa da Paco Rabanne?

Paco foi o primeiro a colocar modelos de etnias diferentes para desfilar. Mulheres africanas, latino-americanas, da Europa. E todas elas tinham em comum a personalidade, individualidade marcada e eram fortes. Não é qualquer mulher que quer vestir um desses. Tem que ser alguém que tenha orgulho de seu corpo.

Outro ponto forte é a sensualidade. Na sua visão, como é possível usar roupas sensuais sem perder a elegância?

A chave para isso é saber misturar opostos. Se você está com um vestido muito sensual, não deve exagerar no salto… Não é necessário o refinamento somado ao refinamento, mas, justamente, quebrar um pouco essa lógica./MARILIA NEUSTEIN

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