Daniela Mercury faz hoje pocket show em varanda de prédio residencial em Salvador

Daniela Mercury faz hoje pocket show em varanda de prédio residencial em Salvador

Sonia Racy

14 de fevereiro de 2021 | 00h50

Daniela Mercury. Foto: Daniel Teixeira

Uma das músicas de Daniela Mercury diz que “está proibido carnaval neste País tropical”. A cantora, então, faz show hoje na varanda de um prédio residencial em Salvador em dois horários: às 18h30 e 20h30. Ao todo, 15 artistas de primeira grandeza do axé – como Ivete Sangalo, Carlinhos Brown e Olodum participam da programação da Devassa, eletrizando sacadas pela capital baiana em meio à pandemia de covid-19. Os shows, surpresas, terão duração relâmpago. Serão 15 minutos, sempre voltados para outros edifícios, de maneira a evitar aglomerações nas ruas. Serão transmitidos pelas redes sociais da marca com captação por drones. A seguir os principais trechos da entrevista com Daniela Mercury.

Com a sua extensa carreira de puxar trio elétrico, como é fazer show na varanda?
A ideia de cantar na varanda é linda e delicada. Me lembra o que aconteceu em vários países, como na Itália. As pessoas cantarem e tentarem se conectar através das janelas e aconchegar o outro. Eu estou muito feliz em fazer isso. E ainda lembra um trio elétrico porque é um lugar inusitado. Chegar assim de repente e fazer e não dar tempo de juntar gente, porque o show é pequeno.

Como escolheu as músicas e adaptou seu show para este novo formato?
Eu adaptei o show pensando nas canções que têm pergunta e resposta. Isso é muito característico das músicas baianas. Você pergunta “Quem é que sobe a ladeira?” E todo mundo responde “do Curuzu”. Escolhi clássicos meus, que em qualquer circunstância as pessoas vão identificar.

A folia online pode ajudar as pessoas na pandemia?
Alegria cura. Por isso que acho que o carnaval tinha que chegar para as pessoas online, já que não pode ser feito de outra maneira. É uma festa leve, vibrante, para pular em casa, para as crianças se fantasiarem. É importante fazer isso porque está todo mundo muito tenso. Então o carnaval é para espantar a tristeza.

O que você tem a dizer para os foliões que querem carnaval como nos bons tempos?
Digo que isso não é possível. Que é desrespeitoso se aglomerar. E que isso não tem o espírito do carnaval – uma festa onde todos se respeitam. Estamos na luta pela vacina ainda. Então nossa grande marchinha de carnaval é “vacina já, vacina sim, vacina ali, vacina lá, eu quero me vacinar”. Eu fiz até uma marchinha pra isso.

Como diz a letra da sua música, está proibido o carnaval neste País tropical?
É interessante né? Os artistas são espíritos do tempo mesmo. Porque eu previ que o carnaval ia ser proibido. Na verdade a música fala de uma suposta proibição por atos antidemocráticos e por autoritarismo, obscurantismo que está implícito na letra da canção. Foi o que eu estava preocupada.

Como você está se cuidando nesta pandemia?
Passamos parte do tempo em Salvador e depois fomos para outra casa na Estrada do Coco, que é mais isolada e pra variar um pouco de lugar por causa de nossas filhas que moram conosco: Marcia, Alice e Bela. Fiz poucos trabalhos com extremo cuidado. Estou isoladíssima até hoje. Trabalhei para as minhas lives. Neguei dezenas de trabalhos que iam me expor.

Como será o carnaval pós-pandemia?
Vai ser espetacular, uma explosão de alegria, uma catarse coletiva. Um momento da gente se sentir livre. Vai ser o carnaval que a gente mandou a doença embora, expulsamos a covid-19. Então vai ser o carnaval da ressurreição, da revanche. / PAULA BONELLI

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