Cultura e negócios, pontos altos de São Paulo em pesquisa

Cultura e negócios, pontos altos de São Paulo em pesquisa

Sonia Racy

09 Junho 2018 | 00h40

PONTE ESTAIADA E MARGINAL PINHEIROS. FOTO: MÁRCIO FERNANDES/ESTADÃO

Um alto ritmo de iniciativas e negócios – em escala local e internacional – e uma atividade cultural intensa deixam São Paulo “bem na fita” na pesquisa Global Cities Report 2018, da consultoria A.T. Kearney. Divulgado esta semana, o relatório lista 135 cidades do planeta e aponta São Paulo como a primeira da América Latina — embora fique em 31.º lugar na contagem geral. (E nada a ver com os critérios de população, pelos quais a capital já está entre os primeiros há bom tempo.)

No item “negócios”, a cidade está em 15.º, batendo cidades como San Francisco. Mas, pelo baixo índice obtido no item “governança”, ela fica em lugar modesto em outra tabela que mede o potencial futuro. No caso, ela aparece em 83.o, atrás de Santiago, Buenos Ayres, Bogotá e Rio.

O que se busca, na pesquisa, é entender por que algumas cidades atraem mais talentos, dinheiro e grandes corporações. Para tanto, foi criado um mix de “virtudes” como energia, dinheiro, capital humano, estrutura de informação, engajamento político e experiências culturais. Em paralelo, é feita outra conta — os Outlook Results –, medindo o potencial futuro de cada uma a partir de termos como  bem-estar pessoal, finanças, inovação e governança. No geral, a grande marca da pesquisa, no ano, foi a “invasão” de cidades chinesas em ambas as listas.

Como fica São Paulo nesse conjunto? “A cidade tem uma pontuação elevada em atividades de negócios – está em um excelente 15.º lugar. E no quesito cultural consegue ficar à frente de lugares badalados como Hong Kong, Bruxelas, Toronto”, resume a consultora Nicole Dessibourg-Freer, uma das responsáveis pelo trabalho.

O relatório constitui, na prática, um mapa mundi da vida urbana no planeta. À custa do enorme entrada de recursos e talentos do mundo inteiro, Nova York pode liderar em vários itens, mas Paris é que sobressai na intensidade de informação. Genebra e Zurique, em governança. Melbourne, no bem estar dos moradores. Washington, no engajamento político.

E San Francisco dispara no item inovação. No embalo das grandes companhias do Silicon Valley, atraindo recursos humanos e dinheiro, a região registrou “apenas 34.324 patentes entre 2011 e 2015. A Google sozinha responde por 6% disso. E há um “pacote” de cidades que não lideram mas estão muito bem em quase todos os itens. É o que torna atraentes lugares como Boston, Bruxelas, Cingapura, Berlim, Viena.

O que SP poderia fazer para avançar mais na lista? Segundo Nicole, “o investimento em melhorias em capital humano e intercâmbio de informações ajudaria muito a subir no ranking. Capital humano tem bastante peso no índice. Como componente crítico para atrair negócios, diversidade e atividades culturais”.

A cidade cai para 83.º no item que avalia o potencial futuro. Por que isso? Ela cai nessa lista “devido a uma combinação mais baixa no item governança – e também pela evolução de várias outras cidades’, resume a consultora. / GABRIEL MANZANO