Veterana do polo quer mais mulheres na água

Veterana do polo quer mais mulheres na água

Sonia Racy

11 de agosto de 2016 | 00h11

Aos 41 anos, a paulistana Camila Pedrosa faz história no polo aquático feminino do Brasil: está há nada menos que 21 anos na seleção brasileira. Mãe de duas filhas, Camila – que começou jogar aos 13 – deixou de lado o esporte por algum tempo, mas voltou no ano passado. Além da bandeira brasileira, a jogadora defende outra causa: a do investimento no polo feminino. “Um jogador ganha mais ou menos dez vezes mais do que uma jogadora”, contou ela à coluna. Abaixo, trechos da entrevista.

Você batalhou este ano para o investimento no seu esporte. Como foi esse processo?
Foi difícil. A Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos preferiu investir na natação e no polo masculino. Depois, seis meses antes dos Jogos, decidiram adotar o nosso planejamento. Mas foi tarde, para quem tem pela frente uma Olimpíada.

Como vê a diferença do tratamento, entre o polo aquático masculino e o feminino?
Eu vivo isso há trinta anos. Há muito tempo falo sobre essas diferenças. Um jogador homem ganha, em média, dez vezes mais do que uma mulher. Mas acredito que o mais importante é ter incentivo. Para ambos. E sei que o País vem passando por uma situação complicada. Temos que buscar mais oportunidades. É nisso que eu acredito.

O que tem achado da organização dos Jogos?
Eu participei dos Jogos Panamericanos do Rio e todo mundo falava a mesma coisa. No fim deu certo. Vamos superar os problemas.

E  o caso da piscina que ficou verde?
Quando treinamos lá estava normal, só fiquei sabendo da cor pela TV. Não posso falar. Amanhã (hoje) vou saber mais.

Como vê a situação da atual seleção brasileira?
Nosso maior desafio é ganhar, passar de fase e pegar um time não tão forte. Claro que queremos uma medalha.

Você disse que deu um tempo no polo para cuidar das suas filhas. Como voltou a dividir seus dias entre ser mãe e uma atleta de alto rendimento?
Tive apoio do meu marido. Ele me ajudou muito. Estão todos com orgulho e vão torcer por mim.

Suas filhas também querem jogar polo ?
Sim. A mais velha, de dez anos, já vai para o polo do Clube Atlético Paulistano. Será um time misto. Quando eu comecei, aos 13 anos, havia um time de mulheres. Eu era a mais nova, pegava carona com elas, que já dirigiam. Então, muito cedo entrei em um time adulto feminino. Esse é um dos meus objetivos depois da Olimpíada. Me dedicar ao Paulistano e ser um atrativo para as meninas do clube praticarem o polo. /MARILIA NEUSTEIN

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.