Corte emergencial de juros nos EUA sinaliza ‘preocupação’, diz Arminio

Corte emergencial de juros nos EUA sinaliza ‘preocupação’, diz Arminio

Sonia Racy

04 de março de 2020 | 00h55

ARMINIO FRAGA. FOTO: SERGIO CASTRO/ESTADÃO

 

A decisão do FED ontem, ditando corte emergencial da taxa de juros nos EUA – coisa que o banco central americano não fazia desde a crise mundial em 2008 – sinaliza, segundo o ex-BC Armínio Fraga, “preocupação”.

Dar mais liquidez a um sistema financeiro internacional já afogado em dinheiro vai funcionar? “Os bancos centrais olham pelo lado convencional, se isso é inflacionário ou deflacionário e qual medida pode empurrar uma economia para a recessão. Restringir crédito seria elemento recessivo e também uma incógnita sobre o real impacto de medida deste tipo”, explica Fraga.

Meta dos BCs
‘é estabilidade’

Por outro lado, para o economista, só o fato de os bancos centrais estarem atentos gera resultados positivos sobre a atividade da economia.

Outra dimensão dessa união entre BCs tem como meta a estabilidade. “Estão olhando para o encanamento do sistema”. Afinal, “os mercados financeiros são integrados não só por meio da comunicação mas também por meio de apoio financeiro. O nível baixo de atividade econômica gera medo de perda de emprego. E as pessoas param de gastar, aprofundando o problema”.

‘Pandemias podem, sim,
afetar a economia’ 

Algum dia o economista imaginou que um vírus, com rápida disseminação mas baixa mortalidade (2%), causaria essa histeria mundial? “A história mostra que pandemias podem, sim, afetar a economia. E hoje, apesar de os mecanismos de resposta serem mais ágeis, não há sinal de que no curto prazo se consiga controlar a doença”.

O que faria hoje se tivesse sinais de gripe ou tosse? “Ficaria em casa”, diz Armínio.

Pelo mercado financeiro, apurou-se que a mudança dos juros anunciada no meio do pregão das bolsas foi entendida, num primeiro momento, como algo positivo. O índice Dow Jones estava despencando quando o anuncio foi feito – e logo em seguida, bateu na casa dos 600 pontos positivos. Mas depois, pelo jeito, pensaram melhor: o índice voltou rapidamente aos 600 negativos. Eita mundo redondo…

Para a China,  o vírus
ajuda a controlar a inflação 

E a China, que lidera o controle dos números do coronavírus? Sem que muitos leigos dessem importância, o país resolveu seu grave problema de inflação com essa confusão toda…

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