Corrida de Temer contra o tempo ‘será dramática’

Corrida de Temer contra o tempo ‘será dramática’

Sonia Racy

07 de junho de 2016 | 01h10

JF DIORIO/ ESTADÃO

JF DIORIO/ ESTADÃO

Há uma incerteza no ar, quanto à solidez do governo Temer, e uma certeza de que ela não vai embora tão facilmente. E não é surpresa que, em seis semanas, dois de seus ministros já tenham sido afastados (Planejamento e Transparência) e o presidente lute agora para segurar mais dois (Turismo e AGU).

“O fato é que o presidente Temer chegou ao Planalto como refém de um pacto formado por três forças autônomas – PMDB, Centrão e a antiga oposição antipetista comandada por PSDB e DEM. Ele deve seu mandato a elas”, explica Fernando Abrucio, cientista político e professor da FGV-SP.

E daqui para a frente a briga do presidente interino contra o tempo “será dramática”, adverte Abrucio. “Porque o diálogo com esses aliados continuará lento, e porque em setembro vai todo mundo embora de Brasília, cuidar das eleições municipais. Ou seu governo se fortalece até lá ou fica tudo mais incerto.”

Os avanços da Justiça contra vários ministros enfraquece Temer e podem pesar na decisão de senadores ao votar o impeachment. No que acha que isso vai dar?
O presidente é refém do pacto que o levou ao Planalto, formado por PMDB, Centrão e a antiga oposição, cada um cobrando e atuando em causa própria.

Ele cede porque negociou mal com esses grupos?
Ele fez o que era possível: um pacto, com seus ônus e bônus. Os bônus são a própria chegada ao poder e essa aliança volumosa mas pulverizada, no Congresso. Os ônus, eu dividiria em três partes. Primeiro, ele ficou impedido de fazer o tal “ministério de notáveis”. Segundo, a luta até por segundo e terceiro escalão, de parte dessa aliança, faz tudo andar muito mais devagar do que ele gostaria e precisaria. E terceiro, a Lava Jato, com suas surpresas e sentenças.

Dizem que lhe falta firmeza, que devia ser mais duro, mas que ele foi forjado no ritmo e nas regras do Congresso.
O fato é que ele não está lá pelo voto popular. Teve um mérito, o de conseguir aglutinar forças, mas sabendo que os grupos com que negociava eram heterogêneos.

Há alguma saída para ele se fortalecer no momento?
Difícil dizer. Objetivamente, a decisão sobre o destno de Dilma é exclusivo do Congresso. Ele não tem como apressá-la. E o “fator eleições” vai pesar. O melhor que ele pode fazer é avançar na economia. Mas, de setembro em diante, as eleições municipais vão esvaziar o Senado. Se nem mesmo governantes fortes, como foram FHC e Lula, conseguiram segurar essa gente em tais ocasiões, Temer também não conseguirá. / GABRIEL MANZANO

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