Corpo a corpo

Sonia Racy

04 de outubro de 2014 | 01h10

O formato do debate dos presidenciáveis na TV Globo – quinta-feira, à noite – expôs muito mais os candidatos. Eles foram obrigados a caminhar de suas poltronas até o púlpito montado para responder ou perguntar. Por causa disso, exibiram suas expressões corporais – que nem sempre dialogavam com suas palavras. Com certeza, o “body language” foi captado pelo telespectador (a média de audiência no Brasil foi de 19 pontos) e mais ainda por quem assistia, in loco, à atuação dos postulantes ao mais alto cargo da República.

Confiante, Dilma começou e terminou o debate sem encontrar posição satisfatoriamente confortável. Pernas cruzadas, ora se apoiava à direita, ora à esquerda ou afundava na poltrona. Quando alguém dizia algo que claramente não lhe agradava, fazia anotações na imensa apostila que levava consigo. Ao final, chegou a olhar, disfarçadamente e várias vezes, para seu relógio. Mexia os pés e parecia se perguntar: “Sou presidente da República e ainda tenho de passar por isso?”.

Para chegar ao púlpito, a petista jogava os ombros para a frente, como se posicionando para brigar. Sua postura se tornava mais agressiva e impaciente quando o interlocutor era Marina. Já com Aécio, era mais comedida fisicamente, apesar da agressão verbal mais forte. No duo com os outros três candidatos (Levy Fidelix, Eduardo Jorge e Luciana Genro), a líder nas pesquisas transparecia o enfado.

Marina, por sua vez, sinalizava fragilidade. Praticamente imóvel, sentada em sua poltrona, anotava uma coisa ou outra, sugerindo estar longe dali. Faltavam-lhe forças para chegar mais rápido ao púlpito; e sua postura, durante todo o programa, com poucas exceções, foi defensiva – mesmo quando atacava com palavras. Ombros fechados, coluna ereta, olhar sem o vigor de antes. A exemplo de sua equipe, que teve pouco mais de um mês para se organizar para o pleito, a ex-senadora parecia ter excedido seus limites físicos. A começar pela voz – embora Dilma também estivesse praticamente sem.

Voz que não parecia ser problema para Aécio. Ele manteve o tom o tempo todo. Concentrado e cauteloso, permaneceu sentado na poltrona com posição ereta e desconfiança mineira. Suas feições só se acendiam quando era chamado. Passos ágeis, chegava para responder ou perguntar procurando mostrar bom humor. Parecia seguro. Talvez por isso, seus colegas tucanos consideraram que esta foi sua melhor performance na temporada.

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