Consultora de imagem disseca cotados para Presidência em 2022

Consultora de imagem disseca cotados para Presidência em 2022

Paula Bonelli

17 de janeiro de 2021 | 00h50

Olga Curado. Foto: Zé Amaral

A consultora de imagem Olga Curado olha para os problemas dos potenciais candidatos à Presidência da República em 2022 para conquistarem corações e mentes do eleitorado: “Acho que o Doria tem muito talento, mas ainda tem uma calçadinha para andar no quesito naturalidade”. Indica uma “humanizada” na imagem do governador paulista: “Está muito certinho, tem que dar uma desarrumada, ser mais solto”.

Ela já treinou políticos a enfrentarem as inseguranças e desconfortos da exposição pública em campanhas e debates televisivos. Fez isso com Lula, Aécio Neves e até mesmo Jair Bolsonaro, quando ele era ainda deputado. Ela própria está mais solta e se aventura na ficção, lançando dois livros no formato físico e digital – um sobre a história de um casal, em diferentes estágios da vida como nas 22 cartas do tarô, chamado O Grande Arcano. E outro intitulado Nem Parece que Acontece, escrito a partir de retalhos de diálogos ouvidos na rua.

Sobre Luciano Huck, outro nome ventilado para 2022, Olga não enxerga vantagem natural advinda de seu papel de apresentador de TV. “Ele tem habilidades para entreter, não sei se tem para gerar confiança” e complementa “Huck pode ser uma pessoa agradável, que mantém as pessoas ligadas para fazer programa de auditório, mas para desempenhar uma função de liderança política precisará mostrar conhecimento em gestão.”

Já Guilherme Boulos está muito histriônico, ela diz em conversa com a coluna por videoconferência, arregalando os olhos e abrindo a boca para imitá-lo: “Precisa diminuir um pouco, senão vira uma caricatura. Reconhece nele, porém, qualidades para comunicação: “Ele tem argúcia e uma clareza grande daquilo que o movimenta, isso passa a impressão de que é uma pessoa consistente”.
Jair Bolsonaro trabalha a própria imagem lançando frases de senso comum e do que Olga chama de “conversas de padaria”. Ela explica que na política nada é à toa: “Esse estilo gera ressonância em parte da população, o que serve para manter o grupo do presidente coeso”.

Faixa preta de Aikidô, a coach aproveita técnicas de respiração e de luta marcial para mostrar às lideranças também do setor privado que é muito mais fácil controlar a si próprio do que o outro. “O princípio do Aikidô é que você só consegue gerar transformação, mudança, se entrar na perspectiva do outro. Entro e tenho habilidade para mudar a situação”, explica. Na pandemia da covid-19, constata que os executivos não querem só habilidade técnicas, mas também recursos para poder olhar situações novas, sem perder o compromisso por resultados. “Estão muito mais sensíveis às dificuldades humanas das suas equipes”, conclui.

 

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