Compasso de espera

Compasso de espera

Sonia Racy

23 de agosto de 2013 | 01h11

Foto: Líbia Fiorentino

 

Em sua palestra ontem, de mais de quarenta minutos, no Secovi, em São Paulo, Eduardo Campos deixou para o final aquele que tem sido o slogan de seu partido, o PSB: “É preciso fazer mais, fazer melhor”.

Não foi à toa. Sua atitude reflete o que é hoje a estratégia do governador de Pernambuco. Depois de alguns meses de protagonismo, seu discurso entrou em uma espécie de compasso de espera, mantendo tom mais neutro em relação ao governo Dilma. Há quem defenda que a tática adotada tem ligação com o futuro da candidatura Marina Silva, com o destino de Serra e os índices de popularidade da presidente. Assim, teria tempo maior para avaliar qual tom adotará na disputa presidencial, em 2014.

Não que Campos tenha deixado de rodar o Brasil fazendo contatos, tanto políticos quanto com representantes da iniciativa privada. Ele continua aceitando convites para palestras a empresários, mas evitando elevar a temperatura de sua fala.

Ao passear ontem por temas caros aos que o ouviam – mais de 100 pessoas – em meio ao almoço no sindicato, na Vila Mariana, o presidente do PSB defendeu respeito a contratos, elogiou fundamentos macroeconômicos, que permitiram ao Brasil enfrentar a crise, apontou recuperação dos EUA e da Europa e reflexos da economia na China, avaliando que o País cresceu mais do que toda a América Latina entre 2002 e 2010, época em que Lula foi presidente. Mas não mencionou o nome do ex-presidente uma única vez.

Tampouco citou Dilma ao frisar que, depois de 2010, o Brasil tem crescido menos. “Estamos abaixo do crescimento global e perdemos na América Latina.” Isso, a seu ver, tem de ser motivo de profunda discussão coletiva e montagem de uma agenda nacional, um pacto social. “Nenhum governante assume com agenda acabada.”

Lembrou que o País conseguiu vários consensos, mas não sobre uma agenda futura. “Esta agenda tem de ser maior que um governo, dois governos. Ela vai além, precisa ser uma agenda do Brasil.”

O governador bateu muito na tecla de trabalho conjunto, música para os ouvidos do setor privado: “Não se faz essa construção sem a capacidade de ouvir e juntar argumentos”. De novo, não citou Dilma.

Economia? “Claro que temos problemas, mas a percepção é mais grave do que a realidade”. E ressaltou: “Não se trabalha repactuação política em ambiente de retração econômica”.

Na próxima segunda-feira Campos volta a discursar, para uma turma reunida por Guilherme Leal, da Natura – tradicional aliado de Marina Silva. Também em São Paulo. É o presidente do PSB em sua caminhada pela conquista do PIB.

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