Como ter uma boa “saúde emocional”

Como ter uma boa “saúde emocional”

Sonia Racy

26 Março 2013 | 01h10

Foto: Julia Rettmann

A Casa do Saber ganha concorrência de peso. A The School Of Life, criada pelo filósofo Alain de Botton, se prepara para abrir as portas em SP no mês que vem. A escola seguirá os moldes da original, em Londres, com temas filosóficos – Como Encontrar o Trabalho da Sua Vida, Como Equilibrar Trabalho com a Vida Pessoal e Quão Importante é um Relacionamento.

O primeiro intensivo de cursos começa dia 4, ministrado por David Baker, fundador da revista Wired. Botton conversou com a coluna sobre a escola e o que espera o público brasileiro.

Como está a expectativa para a abertura da The School of Life em São Paulo?

Estamos animadíssimos. O Brasil é um país de futuro extraordinário e queremos fazer parte disso. Esperamos oferecer uma visão de “saúde emocional”.

O que é isso?

Sabemos da importância da saúde física, mas a energia emocional é vital também. As religiões foram as primeiras a se guiar por isso. Eram “lugares” a que íamos para aprender como lidar com a mortalidade, problemas envolvendo amor, trabalho, dificuldade com a família etc. Agora, para muitas pessoas, religião não é mais a resposta, embora ainda tenhamos “almas problemáticas”. Na The School of Life, acreditamos que a cultura pode preencher o vazio criado pela “morte de Deus”. Quando digo cultura, falo de literatura, filosofia, arte, psicologia. É o “lugar” onde o homem moderno deveria buscar respostas para lidar com suas dificuldades e seus medos. É isso que ensinamos na escola.

Já existem escolas no estilo da The School Of Life em São Paulo. Qual será o diferencial de vocês?

Esperamos que nossa base intelectual seja mais profunda e nossos métodos mais elegantes e convincentes. É maravilhoso que já exista um “apetite” do público para esse tipo de experiência. Essa é uma das razões pelas quais escolhemos a cidade. Porque sabemos que a população local entende, instintivamente, o que tentamos fazer.
As aulas são bastante caras (o Intensivo, que inclui 5 dias de curso diário e um jantar, custa R$ 2.900).

Por quê? Vocês pensam em criar projetos mais acessíveis a outros públicos?

Claro. Queremos continuar crescendo e atrair mais gente. A razão pela qual começamos com cursos caros não tem nada a ver com sermos ricos – infelizmente… Na verdade, estamos tentando chegar ao “break-even”. E fazer o melhor possível, nessa área, não é barato. Então, peço desculpas a quem gostaria de participar e achou caro; prometo que logo vamos criar cursos mais acessíveis…

Fizeram alguma adaptação na metodologia da The School of Life para o Brasil?

Sim, fizemos. Teremos alguns professores brasileiros, bem como nos baseamos em perspectivas e soluções relacionadas ao Brasil. A The School of Life começou na Inglaterra, mas temos uma metodologia global, que se adapta a qualquer país.

Qual sua impressão do Brasil quando esteve aqui?

Fique impressionado com a seriedade do brasileiro. A reputação do País é que os brasileiros são hedonistas. Mas, longe disso, vocês compõem uma nação profundamente reflexiva, com indivíduos muito intuitivos e intelectuais. Acredito que o Brasil é uma nação de pensadores socráticos. Se há momentos de exuberância e prazeres corporais, é só um alívio, creio, para uma vida inteira da alma brasileira. /MARILIA NEUSTEIN