‘Censura nunca terá meu apoio’, diz ACM Neto sobre as marchinhas

‘Censura nunca terá meu apoio’, diz ACM Neto sobre as marchinhas

Sonia Racy

25 de fevereiro de 2017 | 00h25

DENISE ANDRADE/ESTADÃO

DENISE ANDRADE/ESTADÃO

Em tempos de crise econômica, de sucesso dos blocos de rua e de bate-boca sobre marchinhas tidas como politicamente incorretas, não faltam polêmicas para o carnaval. E a coluna, como faz todo ano, convidou três prefeitos – os de São Paulo, Rio e Salvador –, para contarem como organizaram a festa em cada capital. ACM Neto, o primeiro da série, se posiciona contra a censura e garante: “Ela jamais terá meu apoio”.

Em Salvador a crise econômica chegou a prejudicar a organização do carnaval?
Não, pelo contrário. Houve um aumento no número de turistas, porque ficou mais vantajoso viajar pelo Brasil. Também conseguimos manter o volume de patrocínio para a festa graças a uma estratégia adotada pela Prefeitura de oferecer o máximo de entregas possível. As vendas de camarotes e blocos registraram um crescimento de 10% em relação ao ano passado. Então, apesar de toda a crise, o carnaval vai acontecer com toda a sua força e a Prefeitura ainda vai economizar R$ 7 milhões em relação a 2016 porque fizemos uma revisão de contratos e seguramos os preços.

É a sua segunda vez organizando um dos maiores carnavais do País. Mudou alguma coisa em relação à primeira?
As mudanças têm ocorrido a cada ano, com a introdução de muitas novidades. Este ano, abrimos mais espaço nas ruas para os foliões com o aumento das atrações sem cordas. Além disso, ampliamos o pré-carnaval no sábado e no domingo, criamos a festa na Barra na terça-feira, a abertura da folia na quarta, com um baile na praça municipal e o encontro de trios na Barra na quinta-feira.

Qual a sua opinião sobre as marchinhas polêmicas que foram retiradas do repertório de alguns blocos?

Sou contra qualquer tipo de censura ou proibição. Jamais a censura e a proibição terão o meu apoio.

O que acha de usar cordas nos blocos de Salvador?

É importante dizer que o carnaval precisa dos blocos: eles geram emprego, movimentam a economia. Agora, tudo isso pode conviver com os trios sem cordas, que hoje são a maioria das atrações na folia baiana. Só a Prefeitura está oferecendo 300 atrações gratuitas. Com isso, quem quer ou pode paga. Quem não quer, brinca do mesmo jeito.
Se fosse usar uma fantasia no Carnaval, qual seria?
Filhos de Gandhy. Pela tradição, história e beleza do desfile./ JULIANNA GRANJEIA