Com alma feminina

Sonia Racy

02 Janeiro 2015 | 01h10

O segundo mandato de Dilma começa com menos mulheres nos ministérios comparado aos primeiros quatro anos. De nove na fotografia da posse de 2011, apenas seis figuras femininas estão presentes no retrato oficial feito ontem.

Três delas são sobreviventes. Izabella Teixeira (Meio Ambiente), Tereza Campello (Desenvolvimento Social) e Ideli Salvatti (Direitos Humanos) estiveram do primeiro ao último dia do mandado, foram escolhidas pela presidente para se manterem nos postos nesta nova gestão e conversaram com a coluna.

Mesmo com a notória queda do tema “mulher” nos discursos de Dilma e na escolha para o ministério, o trio é unânime em afirmar que a presença feminina em cargos de liderança se ampliou por causa do trabalho da petista.

“A presidenta sempre se preocupa em dar oportunidade para a mulher, mas, na composição do governo, não há apenas esse ingrediente. Ela tem um conjunto de condicionantes que precisa ser atendido”, justifica Ideli.

Para a ministra do Meio Ambiente, a mudança leva tempo, mesmo. “O Brasil está nesse aprendizado, e Dilma abriu a porta para isso.” O diferencial dos gêneros, para ela, está no gostar de cuidar e de olhar para os detalhes.

Tereza diz tomar como exemplo desse avanço o comportamento da filha. “Ela fala: ‘Mamãe, sou uma sortuda, porque nasci mulher’. Certamente ela se coloca dessa forma porque tem uma mãe ministra, uma presidente mulher e isso está sendo colocado para milhares de outras crianças”.

Os motivos então para a diminuição dentro dos ministérios? A chefe da pasta de Direitos Humanos sugere que a predominância masculina na vida política seria ainda o problema.

Já Izabella não arrisca encontrar o porquê do cenário atual, mas diz torcer apenas por uma coisa: “Espero que os homens escolhidos tenham a alma feminina”. /MARINA GAMA CUBAS