Código Marina

Sonia Racy

28 de setembro de 2011 | 23h01

Marina Silva chegou 25 minutos atrasada, anteontem, ao iFHC – culpa do acesso difícil ao centro de SP. E em “modelito hippie”, como salientou antes de iniciar palestra sobre o Código Florestal. Vestindo ton sur ton verde e amarelo, a ex-senadora conversou reservadamente com o anfitrião, FHC, antes de assumir a cadeira central à mesa de debatedores, ao lado de André Nassar (da RedeAgro) e Fernando Reinach (da USP). O primeiro foi contraponto de tudo que Marina defendeu (“ou o governo dá prazo aos agricultores ou divide os custos”). O segundo demonstrou opções para manter APPs e reservas legais.

Marina ouviu tudo e atacou pesado: “Temos de evitar o armagedon ambiental”, afirmou. “A proteção é, sim, compatível com o aumento de produção”.

Em seguida, citou Nádia Bossa (“a realidade é poliglota, nós é que somos monoglotas”), Leonardo Boff (“a Terra não precisa de nós, nós é que precisamos dela”) e lamentou a inexistência de um modelo a ser seguido. “Mas não podemos ficar paralisados por causa disso. Do Greenpeace à senadora Kátia Abreu, todos precisamos ir à cena”.

Celso Lafer, habitué do Instituto, chegou na sessão de perguntas. E pôde ouvir Marina rebater a advogada Samanta Pineda. Consultora da Frente Parlamentar da Agropecuária para Assuntos Ambientais, ela questionou: “Podemos ser não-pragmáticos em relação aos produtores que, por causa de três nascentes dentro de sua propriedade, não conseguem fazer dela uma área produtiva? Eles vão ser prejudicados?” Marina: “Se forem as nascentes do São Francisco, minha querida, eu lamento, mas sim!”

Ao final, FHC retornou: “A gente precisa fazer mais debates como este, sabe? Para atingir uma convergência positiva. Senão esse Código Florestal vai ser só mais um”.

/DANIEL JAPIASSU

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