Clinton: salvação da Amazônia é econômica

Clinton: salvação da Amazônia é econômica

Redação

03 de junho de 2009 | 08h03

Bill Clinton se sentiu absolutamente à vontade segunda-feira, em jantar na casa de Milú Villela, para cerca de 40 pessoas, contatadas por Nizan Guanaes – todas devidamente “encrachazadas”. Tanto que não vacilou em dizer à plateia, com todas as letras, que a preservação da Amazônia passa necessariamente por encontrar um valor econômico para que a floresta seja mantida em pé. Coisa que político algum se arrisca a dizer com clareza.

À frente da Clinton Global Iniciative, o ex-presidente aceitou participar do evento (onde não jantou, fazendo isto mais tarde na companhia de FHC) interessado em divulgar seu instituto, voltado, principalmente, para a defesa do meio-ambiente. E ao começar sua fala, antecedida por bem costurada apresentação de Ricardo Villela, mostrou o habitual senso de humor: “Não sei como vocês vão prestar atenção em mim com tanta obra de arte bonita nesta casa.”

Brincadeiras à parte, o marido de Hillary confessou estar saturado de discussões sobre o que deve ser feito ou não no meio-ambiente. “Temos que nos concentrar em como fazer – e é a isso que o instituto tem se dedicado”, alertou, citando como exemplo o apoio dado à implantação do sistema de água em Zimbábue. “No mundo existem os ‘donos’ e os ‘fazedores’. Estou na segunda categoria”, ponderou.

Clinton respondeu a várias questões – mas, curiosamente, ninguém perguntou sobre… Barack Obama. E passou boa parte do tempo trocando ideias com o ainda embaixador Clifford Sobel e com o ex-CEO da Alcoa, Alain Belda.

No grupo, somente seis mulheres. Mas foram elas as responsáveis pela maior parte das perguntas. Ana Diniz quis saber por que um livro dele, sobre iniciativas transformadoras, não foi traduzido para o português. “É que minha biografia vende muito mais”, brincou ele. E ao conversar com a cientista Lygia Pereira da Veiga, mostrou um conhecimento inesperado: “É você que está estudando a síndrome de Marfan (doença genética rara)? Parece que o Lincoln morreu disso”.

E foi Patricia Villela quem mencionou o tema da educação, o que animou Clinton a fazer longos elogios a FHC e ao programa Bolsa-Escola. Por perto, Beto Sicupira, Pedro Moreira Salles, Binho Ometto e Moise Safra, entre outros, limitaram-se a ouvir.

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