Classes do Fasano

Sonia Racy

22 de agosto de 2011 | 23h01

Jacqueline Mikhail, da Be Happy Viagens, tirou o sábado para trabalhar. Levou seus cartões de visita para a inauguração do novo hotel Fasano, na Fazenda Boa Vista, a 100 km de São Paulo. E circulou à vontade entre os cerca de 500 convidados que desfilavam no lobby de pé direito alto projetado por Isay Weinfeld.

Enquanto explicava quem era seu público alvo, Jacqueline teorizou sobre a evolução das classes sociais. “A classe D quer ser C; a C, B; a B, A, e a A, AA.” A classse AA, resumiu Jackie, “é o que a gente chama de milionários”.

Antes da constatação, a reportagem resolve desbravar o salão atrás de diferenças dos A, B, C. Algo além das existentes entre uma bolsa Chanel e uma Hermès. Parou de contar o número de “chanéis” quando chegou em 50. As outras eram, na maioria, Hermès.

O hotel tem 13 suítes e 26 quartos. A diária é igual à dos outros da grife: entre R$ 1.300 e R$ 2.000. A diferença é que o hóspede tem de ficar no mínimo duas noites no fim de semana. “É para fazê-lo permanecer pelo menos dois dias”, diz o assessor, Dudi Machado.

De fato, em menos de 48 horas fica difícil aproveitar as 213 cachoeiras, duas mesas de sinuca vintage (“perfeitas para acompanhar um coquetel no final da tarde”), o campo de golfe projetado por Randell Thompson e o vagão dos anos 30 “nostalgicamente decorado”.

Como se trata de um hotel de campo, o bufê de comida típica de fazenda AA oferece uma inversão de classes. Os pratos seriam supostamente C: feijãozinho preto, frango com quiabo, ensopadinho de carne e folhas da horta. No corredor entre o lobby e as suítes, onde o trânsito para visitar o hotel é grande, os AA cumprimentam os AB, enquanto várias C e D correm uniformizadas atrás de crianças AA, impecavelmente vestidas.

Helena Mottin conta que, desde que comprou o Mercedes blindado de Hebe Camargo, nunca mais foi assaltada. Acredita que os assaltantes já sabem se o carro é blindado só de tocar a arma no vidro. “Tem um que fica sempre num sinal da Tabapuã. Toda vez ele faz toc-toc no meu vidro…”

À saída da festa, os convidados ganharam uma lembrancinha na linha “campo & mato AA”. Rosquinhas amanteigadas recheadas com goiabada. Tipo clássico quatrocentão ABCD.

/PAULO SAMPAIO

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: