Chef português dono do Seen abre novo negócio em SP

Chef português dono do Seen abre novo negócio em SP

Sonia Racy

05 de outubro de 2019 | 00h37

Foto: Iara Morselli/Estadão

O chef português Olivier da Costa, dono do Seen – na cobertura do hotel Tivoli, nos Jardins –, não mora no Brasil mas está de volta para inaugurar o Savage, novo restaurante 100% focado em delivery, que já funciona com exclusividade no Rappi. “Pretendemos abrir espaços físicos pela cidade. Se calhar podemos ir para os Jardins, depois, Itaim”, diz ele. Confira a entrevista.

O sr. tem restaurantes no Brasil e em Portugal. Como faz esse intercâmbio na gastronomia?
O português e o brasileiro são muito parecidos. Em Lisboa, 50% da nossa clientela é brasileira. Quando criei o cardápio do Seen em SP, comecei a trazer alguns produtos da Europa para cá, como trufa, caviar, trabalhar wagyu, que não existia por aqui. Juntamos esses ingredientes com outros brasileiros – como o carpaccio de pupunha, que não temos lá. Quando abrimos em Lisboa também foi legal porque trouxemos o Brasil para Portugal e fundimos os ingredientes dos dois lados.

Qual é o conceito de seus restaurantes?
Eu gosto de ser comercial. E volto aqui ao que acho que um restaurante tem que ter, os tais cinco sentidos: localização, decoração, luxo, serviço e, no final, a comida. A comida hoje em dia, a meu ver, não é o que atrai mais o cliente que está disposto a gastar. Ele está mais preocupado em não comer do que com o comer em si. São pessoas que treinam, se alimentam bem, muitos são veganos. Então há a preocupação de ter um ambiente eclético para todos.

Como o sr. definiria esse ecletismo?
Meus restaurantes têm esta característica: não é obrigatório vir para comer um prato, uma sobremesa. A pessoa pode comer um carpaccio e, dali a uma hora, ele resolve comer um hambúrguer. Se vai jantar com amigos, pode pedir muitas entradas para dividir. É um conceito eclético, dá para fazer tudo. Já estamos há dois anos e não baixamos o faturamento.

Fale do modelo de negócios do Savage, focado 100% em delivery.
O Savage nasceu para ser um conceito para o futuro. E tenho um sócio que é um gênio, o Rodrigo Rodrigues. E quando junta dois gênios, a coisa funciona… Esse conceito foi elaborado em quatro horas. Receitas, tudo. O Savage Brasil é a minha segunda operação ‘ghost restaurant’– que funciona apenas como delivery, não tem como ir até ele fisicamente. Temos esse modelo em Lisboa.

Usa a mesma estratégia aqui no Brasil?
A estratégia será a mesma. Primeiro fazemos o ‘ghost restaurant’ –eu acho que quando ele pegar por aqui vai ser lindo. Numa segunda fase, pretendemos abrir espaços físicos pela cidade. Se calhar podemos ir para os Jardins, depois para Itaim. Meu objetivo final, num prazo até 2025, é ter mais de 500 lojas da marca pelo mundo todo.

Pretende investir com outras marcas por aqui?
Nesse momento não posso dizer. Com o Savage tenho um objetivo, pode ser um flop e pode não ser. Se funcionar, abrimos uma segunda loja e por ai vai. /SOFIA PATSCH 

Tendências: