Céu do Cruzeiro do Sul na noite de Elton

Redação

17 de janeiro de 2009 | 06h00

Ninguém tem dúvida de que Elton John é hoje um clássico do pop mundial. No entanto, a Sala São Paulo, reconhecida internacionalmente pela sua perfeição acústica, não foi exatamente o melhor lugar para abrigar o primeiro dos três shows que o cantor faz no Brasil. Escalado para comemorar os 15 anos do Banco Cruzeiro do Sul, em evento cujos lugares foram disputados a tapa, Elton acabou enfrentando, na quinta-feira, alguns problemas com o som.

Veja fotos de quem esteve no show: (parte 1) (parte 2)

Como assim, sala perfeita e som atravessado? Segundo se apurou, a sala está projetada de maneira a que as paredes reflitam o som que atinge o fundo do ambiente. O que acontece em concertos e
solos de pianos.

Mas quando se trata de som amplificado, como o de Elton, exige-se justamente o inverso: que as paredes sejam construídas de maneira a absorver o ruído, para evitar que o som chegue ao fundo, bata, volte e se misture. Tanto é verdade que as últimas canções solo de Elton, executadas ao piano, soaram perfeitas.

Percalços à parte, assistir à lenda viva em um ambiente fechado foi privilégio raro, restrito a cerca de mil convidados distribuídos entre empresários e banqueiros de peso e socialites, chegando aos governadores José Serra e Sergio Cabral e ao prefeito Gilberto Kassab. Poltronas mais rígidas não permitiram maiores entusiasmos, mas houve, sim, momentos em que a plateia quase …dançou. Cabral tentou se mexer mas acabou se adaptando aos moldes de quem está acostumado a frequentar o local para ouvir concertos de Bach e Mozart.

Elton John aterrissou às 17h30 em Cumbica e mal teve tempo de passar o som. Na conta do atraso estão os três dry martinis que o anfitrião Luis Octavio Indio da Costa tomou antes de se tranquilizar. Pilotando organização impecável, o dirigente do banco recebeu os convidados à porta.

A grande pergunta no ar, durante o show, era: porque, em crise deste tamanho e muito falatório, um banco de médio porte se aventura a trazer um show caríssimo?

Segundo se apurou, Indio da Costa virou produtor ao se associar ao também carioca Lulu Niemeyer, em março de 2008. Fecharam contrato para trazer ao País três shows do cantor inglês por algo em torno de R$ 2,5 milhões – quantia paga à época com dólar a R$ 1,60. Nessa negociação, o evento do Cruzeiro do Sul entrou na conta-cruzada.

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