Catedral renovada ‘volta à vida’ em Salvador

Catedral renovada ‘volta à vida’ em Salvador

Sonia Racy

11 Setembro 2018 | 00h51

A CATEDRAL DE SALVADOR. FOTO: MATEUS MORBECK

Se servir como consolo para a memória e para a arte brasileiras – abaladas pelo incêndio no Museu Nacional –, está tinindo de nova e pronta para reabrir suas portas, nesta sexta-feira, a Catedral Basílica de Salvador – tida como principal símbolo da arte sacra do período colonial do País. Cravada no Pelourinho, patrimônio cultural da Humanidade, depois de 44 meses ela volta aos seus fiéis em evento solene comandado por Kátia Bogéa, presidente do Iphan, com presença do bispo primaz dom Murilo Kriegman e do ministro Sérgio Sá Leitão.

Inaugurada em 1672, com a fachada em pedras de lioz trazidas de Portugal, ela está agora com todas as 13 capelas restauradas, objetos em ouro e prata reluzentes, reforma integral na fachada, nas torres de azulejos, nos móveis em jacarandá, quadros seiscentistas recuperados… Retornam ao seu lugar, além disso, 30 bustos relicários das Virgens e Santos Mártires que, por segurança, ficaram longo tempo guardados no Museu de Arte Sacra baiano.

A tarefa requisitou 120 profissionais e foi… uma aventura. Sob o altar-mor descobriu-se uma escadaria que levava a uma catacumba. No interior de uma capela amontoavam-se ossadas e 13 crânios humanos. Repinturas mal feitas no passado foram eliminadas, folhas de prata na capela do Santíssimo retomaram o brilho anterior. A sonorização dispõe agora de modernas instalações – e não foram esquecidos o sistema de prevenção e combate a incêndio e a segurança patrimonial. Nisso tudo o Instituto do Patrimônio Histórico Nacional gastou, desde 2015, cerca de R$ 17,8 milhões – parte de um amplo projeto que só para a Bahia está destinando R$ 92 milhões para recuperar também várias outras igrejas.

À coluna, Kátia Bogéa definiu a catedral como “uma arquitetura jesuíta estonteante” e resumiu: “É um tesouro que estamos resgatando, parte da identidade do País.” / GABRIEL MANZANO

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