Golpe baixo na briga contra o Censo do IBGE

Sonia Racy

30 de julho de 2019 | 00h50

APURAÇÃO FEITA PELO IBGE. FOTO LUCAS LACAZ RUIZ/ ESTADÃO

Oito a quatro

Chegou à linha abaixo da cintura o movimento de ex-presidentes do IBGE que estão se posicionando contra o novo desenho do Censo de 2020, montado pela atual direção do instituto. Dos cinco ex-presidentes que, em carta aberta, divulgada há duas semanas, expressaram “extrema preocupação” com os rumos do órgão, soube-se que um deles assinou a missiva acreditando que todos os ex-presidentes o fariam.

Trata-se de Eurico Borba, responsável pelo IBGE entre os anos 1992 e 1993.

Oito a quatro 2

Ontem, quando tomou conhecimento da emissão de nova carta pública – reação de outros sete também ex-presidentes do instituto de pesquisa – declarando que “não procede, como às vezes tem sido dito, que a redução do tamanho dos questionários do Censo significaria a perda irreparável de séries históricas sobre diferentes características da população”, Borba se surpreendeu.

E quase transferiu seu apoio à ação da atual presidente do instituto, Susana Guerra. Mas pensou melhor e achou mais adequado não criar confusão.

Recado dado

A França quer que o Brasil cumpra o Acordo de Paris sobre mudanças climáticas, respeite normas ambientais francesas e proteja áreas sensíveis da economia francesa por meio de salvaguardas.

Esses três “lembretes” foram deixados ontem, ao que se apurou, por Jean-Ives Le Drian, ao seu colega Ernesto Araujo, no Itamaraty, como condição para que Paris assine o Acordo entre Mercosul e União Europeia.

Recado 2

Enquanto isso, no horário marcado para receber o chancelar francês, Bolsonaro resolveu cortar o cabelo.

União x SP

Saíram os números da arrecadação paulista em junho – R$ 12,65 bilhões, crescimento de 0,7%, sobre o valor arrecadado em junho do ano passado. Na comparação de semestre a semestre, a situação do Estado é melhor: o total obtido é de 2% a mais.

A União, entretanto, disparou na frente. A arrecadação em junho registrou um aumento de 4,6% acima do conseguido mesmo mês em 2018. E a do primeiro semestre de 2019 foi a melhor nos últimos cinco anos.

Barbárie

Bruno Paes Manso, um dos autores do livro A Guerra: a Ascensão do PCC e o mundo do crime no Brasil, pondera que a ocorrência do massacre no Pará já era previsível.

Reflete que desde 2017 – quando houve racha entre o PCC e o Comando Vermelho – “já era evidente que o tráfico de drogas se tornou modelo de negócios, há mais de dez anos, contando com escritórios localizados dentro dos presídios, causando tensão entre as facções”

Barbárie 2

Adianta separar essas lideranças em presídios diferentes, conforme proposta de Sérgio Moro? “Como atitude emergencial, sim, mas é preciso olhar para a questão estrutural”.

Segundo o integrante do Núcleo de Estudos de Violência da USP, o número de presos cresceu 700% nos últimos 20 anos sem contrapartida de melhorias no sistema prisional.

Barbárie 3

Marcos Fuchs, do Instituto Pro Bono e da Conectas, concorda com o diagnóstico. “Super lotação, falta de juízes, defensores públicos e ausência de promoção de liberdade por meio de mutirões, mais a progressão de regime cria fabrica diária de ‘soldados’ a serviço do crime organizado”.

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