Carnavalesco da Mangueira enfrenta o desafio de homenagear Bethânia na Sapucaí

Carnavalesco da Mangueira enfrenta o desafio de homenagear Bethânia na Sapucaí

Sonia Racy

08 de fevereiro de 2016 | 15h23

Leo Queiroz

Leo Queiroz

Leandro Vieira tem só 31 anos e a responsabilidade de colocar na avenida a Mangueira com um tema tão grandioso quanto a própria escola de samba: Maria Bethânia. Nesta conversa com a coluna, ele diz como viveu a experiência de homenagear uma cantora que admira tanto. Entre outras coisas, ela pediu para “não ir muito alto no carro” e que se evitasse no desfile a cor preta — por convicções religiosas. A seguir os melhores trechos da entrevista.

Como surgiu o mundo do carnaval na sua vida?

Eu tinha o Carnaval como uma festa. O que eu conhecia era o desfile a que assistia e os blocos em que eu brinquei. Quando estudei Belas Artes, a ideia era trabalhar com arte conceitual e teoria da arte. Acabei entrando no mercado do carnaval por acaso, há 10 anos, em meio à dificuldade de me inserir no mundo das artes. E tudo foi acontecendo muito de surpresa. Trabalhei 8 anos como assistente de outras pessoas. E ano passado recebi o convite de ser carnavalesco da Caprichosos e o desfile repercutiu de uma maneira muito positiva. A escola vivia uma onda desacreditada. E foi assim que me chamaram para fazer a Mangueira.

O carnaval virou uma paixão para você?

Com certeza. Não tem como você trabalhar para o carnaval e não se apaixonar por ele. Envolve a dedicação de muita gente, o sonho de uma comunidade inteira, o desejo de vitória.

A crise econômica afetou seu trabalho?

Na verdade já sabíamos que a condição do carnaval deste ano seria difícil por conta do cenário. Não é um carnaval com restrição, mas é pensando em ser original de uma forma diferente.

Você já conhecia a Bethânia?

Eu conhecia a obra da Bethânia. Sempre fui fã.

Como foi conhecê-la e fazer o convite?

Para mim foi uma honra enorme ter contato com a voz que sempre foi muito íntima para mim. Tudo que eu produzi na arte ao longo da minha vida foi ao lado das músicas e da voz da Bethânia. Então ter algum contato, por menor que seja, dar a mão, dar um abraço, ganhar um beijo, ter uma troca de carinho, qualquer forma de contato é uma alegria.

Ela fez algum pedido especial?

Por questão religiosa, pediu que eu evitasse o uso da cor preta no desfile como um todo e pediu para ela não ir em um lugar muito alto no carro.

Tem um xodó do seu carnaval?

Eu gosto muito da quarta alegoria da Mangueira, que celebra a obra musical da Bethânia, como a Abelha Rainha. Lá estará uma série de artistas convidados, pessoas que de alguma forma contribuíram para a carreira da Bethânia como um todo. Vai levar Moacir Costa, Zélia Duncan, Chico César e o irmão Caetano Veloso.

Qual a diferença do carnaval de bloco de rua com o carnaval na avenida?

O carnaval de rua é mais livre, mais alegre, mais solto, mais despreocupado.

A avenida é um momento de tensão?

Os desfiles das escolas de samba enveredaram para o espetáculo. O rigor do julgamento às vezes inviabiliza algumas manifestações de alegria espontânea. Coisa que o carnaval de rua não restringe.

Qual sua melhor lembrança de carnaval?

Foram os carnavais que eu brinquei na rua e que agora, infelizmente, eu fico um pouco sem tempo de desfilar no bloco Bola Preta, que é a minha paixão. Perdi o sábado de carnaval para o trabalho.É uma boa lembrança e uma certa amargura não poder ir lá. / MARINA GAMA CUBAS

 

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