Cardozo é homenageado

Sonia Racy

28 de março de 2011 | 23h05

Congresso Brasileiro de Direito Comercial encerrado sexta, José Eduardo Cardozo foi centro de jantar na casa de Fábio Ulhoa Coelho. Chegou às 22h15 e não negou atenção aos presidentes de tribunais, conselheiros do Cade e juristas presentes, enquanto devorava minissanduíches de carne seca intercalados com goles de vinho francês. “Vou fazer uma endoscopia. Preciso comer bastante porque entro em jejum depois da meia-noite”, justificou. O ministro da Justiça está fazendo um check-up. “Detectada, até agora, só a pressão alta. Normal, sou hipertenso”.

O exame deve ter corrido bem. Sábado, o ministro foi visto no Rodeio, almoçando “pesado” com o médico Roberto Kalil.

Sob sua gestão, o que mudou no Ministério da Justiça em relação ao governo Lula?

A linha é a mesma, o que pode haver é mudança de estilo. As prioridades são segurança pública, combate à violência, ao crime organizado e ao uso de drogas. E tenho, por orientação da Presidência, uma preocupação muito grande com a gestão. Temos que utilizar muito bem o dinheiro público, multiplicando por dez, cada centavo que recebemos.

E na PF, muda algo?

Não. Continuamos a aprofundar o foco no crime organizado. Fazendo o trabalho sem espetacularização de situações, sem holofotes, dentro da estrita legalidade, que é o seu papel.

No mandato de Tarso Genro houve um primeiro momento da PF muito politizada, grandes operações e depois uma segunda etapa mais discreta. Como o senhor avalia a gestão anterior?

O governo Lula deu uma dimensão republicana para a atuação da PF. Mas antes passou por estágios e níveis de aprendizado. Houve um momento de espetacularização sim, mas os ministros tomaram ciência de que isso não era correto, cabível. Sem shows, a PF é mais eficiente.

Há quem afirme que a PF parece inativa neste início de governo. O senhor concorda?

Não. Temos feito operações pesadíssimas, entre elas uma no Rio com a prisão de dezenas de policiais que participavam do crime organizado. Em Goiás, prendemos policiais pertencentes a grupos de extermínio. E na última quinta-feira, realizamos uma operação com a prisão de vários policiais rodoviários federais que também participavam de esquema de propina.

Em Manaus, policiais atiraram à queima-roupa em um rapaz de 14 anos. Em SP, relatório da Polícia Civil aponta envolvimento da PM também em grupos de extermínio, que teriam cometido 150 assassinatos. O que o Ministério pode fazer sobre isso?

O Ministério da Justiça não tem papel corregedor sobre as policias estaduais. Só sobre as suas forças policiais, as quais tem que cobrar rigorosamente para não haver abuso de poder. Ajudamos os estados, quando solicitados. E também oferecemos a eles alternativas de formação, cursos e treinamentos.

Como relator do projeto de lei da Ficha Limpa, como vê a efetivação dela somente para as próximas eleições?

Defendi a aplicação para as últimas eleições. Não deu, o STF votou e tem que ser respeitado e acatado. Cabe à Suprema Corte definir a matéria.

Foi por uma questão de coerência que o Brasil votou na ONU a favor de se investigar os crimes contra os direitos humanos no Irã, para assim, avançarmos internamente no tema?

Foi um sinal de que a questão é importante sim para o governo. E que sua violação deve ser objeto de um tratamento rigoroso em todas as nossas frentes de ação, sejam elas internas ou externas, seguindo premissas da nossa presidente, seu entendimento do que é correto e justo.

E São Paulo, o senhor será candidato a prefeito?

Olha, não tenho a menor intenção. Estou no Ministério da Justiça. Fico lá enquanto a presidenta quiser e estou gostando do meu trabalho.

/PAULA BONELLI

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