Canal Soltos S.A. analisa impasses dos solteiros na quarentena

Canal Soltos S.A. analisa impasses dos solteiros na quarentena

Sonia Racy

27 de setembro de 2020 | 00h50

Carolina Tilkian e André Lage. Foto: João Sal.

A pandemia e o isolamento social prolongado estão modificando as relações amorosas e afetivas de casais e de solteiros. André Lage e Carolina Tilkian – que comandam o canal Soltos S.A, no Youtube–, dividiram com a coluna os principais impasses enfrentados pelos descompromissados nesse “novo normal’ e o mundo hiper digitalizado, bem como diferentes perspectivas. Aqui vão os principais trechos da conversa com a dupla: 

Como está sendo a quarentena para os solteiros? 

O início da pandemia estimulou essas pessoas a paquerarem de forma mais ativa no online. Mas é interessante observar que o digital sozinho ainda não sustenta o ecossistema da paquera. O período de quarentena acabou se tornando um momento de introspecção e revisão de padrões. Poucas pessoas abriram espaço para novos amores. Estão focadas nas próprias questões e na montanha russa emocional da covid-19. E quem furou a quarentena buscando algo além do casual, não encontrou e se arrependeu.

Existe um “novo normal”?

Hoje não é só o medo de ser passado pra trás que assusta. Existe também a preocupação de contaminação em encontros que duram menos que os tais 14 dias de incubação do vírus. Na tentativa de minimizar os riscos, o “novo normal” conta com um protocolo de socialização, onde a temida “D.R”. faz parte do pacote: perguntas indiscretas e cobranças por exclusividade. E assim como álcool gel e máscara se tornaram itens básicos, o romance virtual pré-encontro real está se tornando uma nova preliminar. Ou seja, solteiros vão ter que aprender a manutenção virtual pra fazer o romance real voltar a acontecer

Vocês tem dados sobre o número de divórcios? É verdade que aumentou? 

A busca por advogados especializados em separações cresceu 177% na quarentena. Mas acreditamos que as relações vão sair fortalecidas. Nos últimos 10 anos, os divórcios cresceram 160%. Por outro lado, os casamentos também cresceram. Ou seja, nem a solteirice nem os casamentos são definitivos. 

Está na pauta de 2020, discussão forte sobre o uso de redes sociais e a questão do algoritmo. Como veem isso no mundo dos relacionamentos? 

O uso das redes sociais e dos aplicativos de paquera, apesar de aumentarem a possibilidade de encontros e conexões, têm também aumentado a ansiedade e o famoso F.O.M.O. (fear of missing out) dos solteiros. Isso porque existe uma ilusão de que a abundância de oferta de solteiros seja sinônimo da possibilidade de encontro que atenda 100% dos seus desejos e projeções. 

 Quais são os efeitos disso? 

A ansiedade traz a sensação de que temos pouco tempo para impressionar muito, o que tem feito os solteiros a recorrerem a coaches de relacionamento, fórmulas de paquera. Existe um discurso que defende a vontade de aprofundar os vínculos mas, na prática, manter-se na prateleira é visto como mais seguro e menos dolorido. 

E vocês que estão em contato constante com os solteiros de todo o Brasil, apontem as maiores dores deles?  

A principal queixa dos solteiros está relacionada à falta de responsabilidade afetiva nas relações. E apesar de todas conquistas feministas, as mulheres acima de trinta continuam sendo sabatinadas sobre a sua vida afetiva. Não basta ter uma vida profissional, ser independente, ter muitos amigos e ser feliz, parece que se não há um par amoroso, a família e alguns amigos ainda têm essa percepção de fracasso social. Uma das nossas maiores lutas no Soltos S.A. é justamente para que as pessoas não enxerguem a solteirice como um estado temporário e sim como uma possibilidade de existência e que mais importante que mudar o status no Facebook é ser feliz, cada um à sua maneira. 

/MARILIA NEUSTEIN

 

 

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