Cais do Valongo torna-se patrimônio cultural mundial

Sonia Racy

09 de julho de 2017 | 13h27

Alterado às 17h40 para atualização de informações

O Cais do Valongo, na zona portuária do Rio, acaba de ser declarado Patrimônio Cultural Mundial da Humanidade. O comitê da Unesco reunido na manhã deste domingo em Cracóvia, na Polônia, onde a medida foi anunciada, mencionou os vestígios arqueológicos no local, como evidência da chegada inicial de africanos escravizados ao continente americano.

Em nota, o MinC, o Iphan e o Itamaraty comemoraram a decisão lembrando que aquele cais “remete a um dos mais graves crimes perpetrados contra a Humanidade, a escravidão”.

O Valongo é parte essencial da história do País, como porta de entrada de cerca de dois milhões de africanos. Em 1831, o governo português, sob forte pressão da Inglaterra, proibiu o tráfico transatlântico de escravos e o cais foi fechado. Os traficantes recorreram, a partir dali, a desembarcar os escravos em portos clandestinos próximos.

Em 1843, o local foi todo alterado para que se construísse um novo ancoradouro onde aportaria o navio que trazia de Portugal a princesa Teresa Cristina, futura esposa de Dom Pedro II. O cais foi então rebatizado com o nome de ‘cais da Imperatriz’ mas foi novamente soterrado em 1911, na reforma urbana realizada então pelo prefeito Pereira Passos.

Desde 2012, o espaço foi transformado em monumento preservado e aberto à visitação pública. Hoje ele integra o Circuito Histórico e Arqueológico da Celebração da Herança Africana, que registra a presença da cultura afrobrasileira na região portuária, ao lado — entre outros —  do Jardim Suspenso do Valongo, Largo do Depósito e do Cemitério dos Pretos Novos. /COLABOROU DANIELA AMORIM, DO RIO DE JANEIRO