Café com a Presidente

Café com a Presidente

Sonia Racy

26 de março de 2014 | 01h01

Foto: Dida Sampaio

A conversa de Dilma com os banqueiros – segunda, em Brasília – foi bastante cordial e, segundo alguns dos presentes, produtiva. A presidente tratou a todos muito bem, como se nunca tivesse se desentendido com o sistema financeiro. Abriu o encontro querendo saber como enxergavam a atuação do governo.

Dilma, aliás, falou pouco durante as mais de três horas de reunião – regadas a suco de laranja, café e nada para comer. Mas fez muitas perguntas. Atuação de Guido Mantega, da Fazenda, e Alexandre Tombini, do BC? Fora dois ou três momentos, permaneceram… discretos.

A primeira frase que a presidente ouviu foi: “Todos nós somos sócios do Brasil e temos interesse de que o País vá bem”.

Falou-se – cada um dos convidados deu sua visão – sobre a necessidade de aumentar a credibilidade e a confiança no governo, para que os investimentos na economia melhorem significativamente. Houve até comparações e análises sobre como México e Chile estão lidando com suas respectivas economias.

“Como melhorar? ”, perguntou Dilma. A grosso modo, os banqueiros citaram três questões básicas: avanço na responsabilidade fiscal, ajuste no preço do petróleo e diálogo permanente não só com o mercado, mas com a iniciativa privada.

No quesito responsabilidade fiscal, ponderaram que não adianta o governo deixar para mostrar que vai cumprir (com remendos ou não) o superávit fiscal somente no último mês do ano. O ajuste tem de ser feito mês a mês. Essa questão, inclusive, provocou lembrança de Murilo Portugal, da Febraban, de sua época como secretário do Tesouro: “Sei como é isso”. Ao que Dilma devolveu, bem-humorada: “Que bom saber que não somos só nós”.

No que se refere a preço da gasolina, houve reação de Mantega: “E aí, qual a contrapartida, mais inflação?”. Os presentes reforçaram ser muito importante a prática de preços a mercado e que a contenção inflacionária deve, sim, ser feita por meio do controle do déficit fiscal.

Dúvida: os banqueiros souberam, na reunião, do rebaixamento da nota do Brasil pela Standard & Poor’s? Sim, logo depois do fechamento do mercado. Entretanto, pelo tanto que Tombini mexeu em seu celular depois das cinco horas da tarde, desconfia-se que o presidente do BC… soube antes.

Ao deixar a sala, além de agradecer a presença de todos, Dilma soltou: “Tenho certeza de que o Brasil é muito melhor do que estão vendo, tanto aqui como no exterior. A imagem do País lá fora hoje é pior do que a realidade”.

Além de Murilo Portugal, estavam presentes os banqueiros André Esteves, André Brandão, Carlos Alberto Vieira, Hélio Lima Magalhães, Jesús Zabalza, Luiz Carlos Trabuco, Manoel Felix Cintra Neto e Roberto Setubal.

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