Burocracia atrasa documentos e velejadores brasileiros não são libertados em Cabo Verde

Burocracia atrasa documentos e velejadores brasileiros não são libertados em Cabo Verde

Sonia Racy

14 Julho 2018 | 00h45

DANIEL E RODRIGO. FOTO A TARDE

O Brasil não conseguiu, por causa de sua burocracia, entregar a tempo, ao governo do Cabo Verde, a documentação necessária para que os velejadores Daniel Dantas, Rodrigo Dantas e Daniel Guerra pudessem ser libertados e aguardassem em liberdade o julgamento de seus recursos. Eles são acusados de tráfico de drogas, mas investigação da PF brasileira sobre o caso concluiu pela inocência dos três. Além deles, foi detido na operação o capitão do barco, o francês Olivier Thomas.

“O prazo para levar a documentação às autoridades da ilha terminou na quinta-feira. Como ela não foi entregue, o pedido de libertação foi indeferido pela Justiça cabo-verdense. A burocracia venceu e os brasileiros terão de aguardar na prisão o novo julgamento, que pode ocorrer em agosto, outubro ou mais tarde”, desabafou à coluna nesta sexta, por telefone, de Cabo Verde, Barbara Dantas, irmã de Daniel. Este e Rodrigo estão detidos desde dezembro do ano passado, os outros dois desde agosto.

‘Brasil se empenhou mas
a burocracia foi mais forte’

Ao que apurou a coluna, o Itamaraty — que vem prestando assistência aos brasileiros — recebeu do Ministério da Justiça, no dia 11, uma posição do Brasil sobre o episódio, que inocenta os velejadores e os outros participantes da viagem. Remeteu tudo online, imediatamente, ao embaixador brasileiro no Cabo Verde, Araújo Leitão — e este repassou o material em seguida à autoridade diplomática da ilha.

Mas quem decide, no caso, é a Procuradoria-Geral de lá. E documentos complementares, decisivos para uma avaliação dessa PGR foram mandados pela Justiça brasileira em um CD, pelo correio — pois, ao que se informou, a PGR não disporia de meios para recebê-los eletronicamente. O cálculo é que essa “viagem” demore em torno de dez dias. “A burocracia foi mais forte”, lamentou Barbara.

No entanto, o indeferimento pela justiça cabo-verdense, anunciado anteontem, é definitivo.

Droga escondida

Como informou a coluna em edição anterior, Daniel e Rodrigo foram contratados por um inglês para viajar com ele da Bahia até Cabo Verde, para levar o barco. A cocaína estava escondida no casco — e os dois afirmaram que não tinham nenhum conhecimento de que ela estava lá. Na última hora, o inglês anunciou sua desistência de viajar. O barco foi parado pela fiscalização ao chegar à ilha, e a cocaína foi descoberta.