Brasil deve adotar tom propositivo na COP-26, sem exigências punitivas a países desenvolvidos

Brasil deve adotar tom propositivo na COP-26, sem exigências punitivas a países desenvolvidos

Sonia Racy

31 de outubro de 2021 | 03h00

Vista de parte da Floresta Amazônica. Foto: Herton Escobar/Estadão - 07/10/2017

Vista de parte da Floresta Amazônica. Foto: Herton Escobar/Estadão – 07/10/2017

Brasil muda seu tom e leva para a COP-26 um novo posicionamento. A lista a ser apresentada nas reuniões técnicas será propositiva, segundo esta coluna apurou, girando em torno de soluções para o meio ambiente.

A ideia é evitar confrontos, ameaças ou então exigências “punitivas”. A comitiva brasileira não tem intenção de insistir que países desenvolvidos paguem para os que estão em desenvolvimento mantenham seus recursos naturais.

Segundo alta fonte próxima às negociações que envolvem pouco mais de 30 técnicos do governo federal – representantes dos ministérios do Meio Ambiente e do Itamaraty – esta postura foi a que convenceu Bolsonaro a ter maior interesse no meio ambiente. Estaria convencido que defender o incentivo à criação de uma economia verde é mais produtivo do que ficar atrás de culpados. O presidente da República, aliás, gravou um vídeo a ser apresentado na conferência do clima que começa hoje e vai até o dia 12.

Depois de seis anos da assinatura do Acordo de Paris, o mundo se reúne em Glasgow para tentar chegar a um consenso sobre os últimos detalhes do pacto climático. Em especial sobre o artigo 6, que regula o mercado de carbono global.

O que o Brasil dirá sobre o assunto? Segundo a mesma fonte, vai frisar a necessidade de se criar uma nova economia verde. “Uma economia neutra em emissões de gases de efeito estufa até 2050”. Dirá também que é muito importante que os estados brasileiros também estejam aderindo a isso.

 Brecha Verde

Outro assunto será o dos bancos federais brasileiros, que têm hoje mais de US$ 50 bilhões em projetos e programas de iniciativas verdes. O governo Bolsonaro pretende que eles andem e recursos cheguem mais rapidamente a quem cuida de florestas e quer desenvolver uma nova economia verde. “É por meio dos incentivos e com mais celeridade, menos intermediação, que chegaremos a uma economia verde”, explica a fonte governamental.

No seu ver, o País é uma potência verde e parte da solução da economia do meio ambiente global. “Temos que oferecer ao mundo vários produtos com baixa emissão de carbono. Nossa energia de baixa emissão, por exemplo, ajuda a aprofundar essa vantagem e é viável. A Romênia eliminou o carvão e promoveu uma revolta social interna pela falta de emprego. Criar uma economia verde significa gerar novos empregos”.

 

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