Bota fé na molecada

Bota fé na molecada

Sonia Racy

03 de julho de 2014 | 01h10

Foto: Silvana Garzaro/Estadão

Perguntar ao grupo reconhecido pelo Guinness Book como o mais antigo em atividade da América Latina se falta um hino para a Copa é receber como resposta palinha dos sucessos Frevo do Bi e Pra Frente Brasil, que embalaram os mundiais de 1962 e 1970: “Poderíamos cantar de novo o Vocês vão ver como é Didi, Garrincha e Pelé /Dando seu baile de bola/Quando eles pegam no couro ou Noventa milhões em ação/Pra frente Brasil/Do meu coração. Músicas que, de fato, marcaram e incentivaram a nossa seleção”, diz Sérgio Rosa, um dos integrante mais antigodo Demônios da Garoa. Mas o quinteto – que está em sua terceira geração, celebrando 71 anos de estrada – revirou as gavetas e decidiu regravar Tema da Copa, música que cantava quando o Brasil estava prestes a conquistar o tricampeonato no México.

Ela é uma das 14 faixas do álbum que acaba de sair do forno pela Biscoito Fino, Um Samba Diferente. Mas com uma adaptação. “A letra original dizia: Chegou a hora de a gente ver essa vitória que vem trazer ao céu do Brasil mais uma vez a taça número três. E como três rima com seis, resolvemos adaptar”, conta Serginho, torcendo para que, “como em 70, a música dê sorte outra vez para a seleção”.

O grupo concorda, no entanto, que falta uma música nova para o Mundial. “São várias, mas o problema é que não acharam aquela, sabe?”, diz Izael, que comanda a timba. Lapidado desde 2009, um Samba Diferente chega às lojas 15 anos depois de o grupo ter gravado seu último disco com inéditas. Mas, como não poderia deixar de ser, as novas composições dividem espaço com releituras de clássicos do Demônios, como Trem das Onze, de Adoniran Barbosa. “É um álbum bem diferente daquilo que estamos acostumados. Apostamos em um repertório mais atual. Claro que sem deixar de lado o nosso tradicional quais, quais, quais”, garante Ricardinho, o mais novo do grupo. “Mas a gente também se vê no direito e no prazer de fazer alguma coisa nova. Embora o Demônios não precise provar mais nada para ninguém, é sempre bom ter uma música nova na boca do povo”, emenda Serginho.

Mesmo com a agenda de shows lotada, eles têm dado um jeito de acompanhar os jogos do time de Felipão. “Nossos jogadores podem não estar apresentando aquele futebol-arte, mas mostram muita união. E, até que provem o contrário, temos que acreditar na molecada da seleção”, diz Dedé Paraizo. A final dos sonhos? Unanimidade: Brasil e Argentina. “Não é o sonho brasileiro, mas sim do mundo inteiro”, diz Sérgio. / THAIS ARBEX

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