“Bolsonaro cometeu falsidade ideológica”, avalia criminalista Mariz de Oliveira

“Bolsonaro cometeu falsidade ideológica”, avalia criminalista Mariz de Oliveira

Sonia Racy

25 de abril de 2020 | 00h45

Antonio Cláudio Mariz de Oliveira – Foto: Site Advocacia Mariz de Oliveira

A maneira com a qual Bolsonaro operou a exoneração de Maurício Valeixo da diretoria da PF “constitui em falsidade material”, na opinião de Antonio Cláudio Mariz de Oliveira.

“Em sendo verdade o que Moro declarou publicamente, ele mentiu. Se não foi material essa falsidade, ela foi ideológica. É como eu dizer que você me falou tal coisa quando na realidade você não me falou”, explica.

Trata-se, na opinião do criminalista veterano, de um crime comum, mas por ter sido praticado pelo presidente da República, ele “se transforma em crime de responsabilidade que leva ao impeachment”.

Pela primeira vez na história da República, na análise de Mariz de Oliveira, um presidente prega contra… a República. “Ao ir àquela manifestação, ele se sentiu muito à vontade ouvindo pregações contra as instituições democráticas e republicanas. Pra mim, isso é um negócio maluco porque ele foi eleito pelo voto republicano”.

O relevante na saída de Sergio Moro, segundo o advogado, não é propriamente a saída. É a atitude do presidente da República que mais uma vez mostrou um autoritarismo incompatível com a democracia. “Contrariado, ele impõe a sua vontade. Ele não concilia e se alimenta na discórdia, plantando a intolerância raivosa em seus apoiadores”.

Mariz concorda com seu colega Miguel Reali Júnior – um dos autores do pedido de impeachment contra Dilma. O jurista sugeriu uma junta médica para avaliar a sanidade mental de Bolsonaro.

O fato é que entre a República do Brasil e seus filhos, Bolsonaro opta pela família. Coisa minimamente previsível para quem conhece e acompanha “seu” Jair de perto.

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