Bethânia afirma que poesia pode ser um “modo de libertação”

Bethânia afirma que poesia pode ser um “modo de libertação”

Sonia Racy

17 de fevereiro de 2017 | 00h35

FOTO DENISE ANDRADE/ESTADÃO

FOTO DENISE ANDRADE/ESTADÃO

Maria Bethânia (na foto, com Chico Buarque) entrou no camarim do Show de Verão da Mangueira, anteontem, no Tom Brasil, superaguardada por fãs. Músicos da escola e passistas esperavam a “menina dos olhos de Oyá” para tirar fotos e registrar o momento.

Para as imagens, a cantora fez questão de pedir e vestir a faixa da verde e rosa. Brincou com os puxadores e arrancou um abraço de Chico Buarque – que estava chegando para preparar sua participação.

Bethânia abriu o show cantando Emoções, de Roberto Carlos e depois embalou a plateia com Vento de Lá e Reconvexo, antes de deixar o palco fazendo coro ao samba-enredo da Mangueira – que a homenageou no ano passado e levou o título de campeã. A cantora conversou brevemente com a coluna no camarim. Abaixo, trechos da entrevista.

Este ano você desfila de novo pela Mangueira?
Não, este ano não vou.

Vai ao carnaval de Recife?
Talvez. Fui convidada para homenagear Naná Vasconcelos, que para mim seria outra glória, tão grande como ser homenageada pela Mangueira, mas temos algumas dificuldades de datas. Por isso, não sei se vou exatamente no carnaval. Mas meu coração estará lá, homenageando Naná. E mais: revelando e confirmando ao Recife a minha paixão por aquela cidade e por aquele carnaval único.

Como é cantar o samba enredo que foi feito para você, A Meninas dos Olhos de Oyá?

Eu nunca cantei, na verdade. Se eu cantasse ficaria esquisito porque são muitas referências a coisas que aconteceram na minha história. É bonito ouvir, mas ao mesmo tempo sinto que esse enredo é do meu orixá. Uma homenagem a Iansã, através da minha presença na Terra. E com isso eu posso brincar um pouco, então eu canto alguns pedaços só. O Luizito (da Mangueira) é genial, grande cantor, que é quem canta o samba-enredo e pediu para eu cantar. Eu disse que cantaria só algumas frases.

Você tem uma ligação forte com a palavra. Escreve poesia? De onde veio esse interesse?
Não escrevo… A minha relação com a palavra vem desde menina, por conta da minha casa. Meu pai gostava muito de poesia, minha irmã Mabel é poeta, o Caetano (risos) não vamos nem falar… e ele era meu irmão mais próximo. Então, estava sempre me guiando, orientando, me mostrando, maravilhoso. A ligação vem daí. Depois o Fauzi Arap, no Rio de Janeiro, já como profissional, me mostrou Fernando Pessoa. E me ensinou também Clarice Lispector.

Acha que está faltando poesia no mundo e no
Sempre é bom ter poesia. Em qualquer circunstância. Boa ou má. Acho que estamos com dificuldades sérias e graves e acho que poesia pode ser uma das saídas, um modo de libertação. / MARILIA NEUSTEIN e JULIANNA GRANJEIA