Beautiful favela

Sonia Racy

27 de fevereiro de 2012 | 23h01

Enquanto Corcovado e Cristo Redentor ferviam de turistas durante o carnaval, outro ponto carioca, bem menos glamuroso, também recebia visitantes: a favela da Rocinha. Ela, que ficou fora do circuito turístico durante o período de pacificação (iniciada em novembro do ano passado), retomou agora, do morro Dona Marta, o posto de queridinha dos gringos curiosos – concorrendo com o Complexo do Alemão.

Em passeio de cerca de duas horas pela comunidade (a R$ 95 por pessoa, promovido pela Jeep Tour), a coluna reparou: pairava no ar a preocupação de circular pela área recém-tomada dos traficantes em um jipe aberto, como em um safári africano, lotado de estrangeiros com suas filmadoras e máquinas fotográficas. “Não devia ter vindo de bolsa”, comentou uma funcionária de banco de investimentos da África do Sul. Mas, pelas vielas da Rocinha, o grupo era cumprimentado pelos moradores com acenos e expressões como hello, good morning e delicious – receptividade que acalmou a turma.

Descendo do automóvel, seguimos a pé até a Laje do Carlinhos. “Ow, Carlinhos Brown?”, interessou-se um polonês. “É Carlinhos, é brown, mas não é o Carlinhos Brown”, respondeu a guia. Três lances de escada e chegamos à panorâmica vista da tal laje, acesso permitido a qualquer um que pague R$ 5. “É a vista mais bonita da Rocinha. Quem não quiser pagar, vai ficar sem conhecer, porque preciso fazer meu dinheirinho”, comentou o proprietário. Se o movimento melhorou depois da expulsão dos traficantes? “Que traficantes? Não sei de nada. Estava viajando”, safou-se o baiano, que mora na favela ha 38 anos. /DÉBORA BERGAMASCO

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