Barbatana campeã

Barbatana campeã

Sonia Racy

23 Julho 2015 | 01h20

Foto: Arquivo pessoal

Gabriel Medina, primeiro brasileiro a ser campeão mundial de surfe, também já viu um tubarão, no começo do ano, nas águas da África do Sul. Felizmente, nada aconteceu. O surfista – que lança sua biografia hoje, ao lado de Tulio Brandão, na Livraria Cultura do Shopping Iguatemi – conversou com a coluna sobre os perigos do esporte. A seguir, trechos da entrevista.

O que pensou quando viu Mick Fanning sendo atacado pelo tubarão?

Foi a cena mais bizarra que já vi. É claro que sabemos que corremos esse risco – de encontrar um tubarão na água. E existem praias que têm histórico de ataque de tubarões. Jeffreys Bay é uma e Margaret Rivers, na Austrália também tem a mesma fama. Todo mundo fala, nós sabemos, mas a gente só acredita quando vê, né?

Você nunca tinha visto?

Vi em uma bateria no começo do ano, só que o tubarão estava atrás de um cardume de peixes e me explicaram que ele não atacaria, mas ainda assim fiquei assustado, coloquei os pés em cima da prancha… Eu acho que existem muitas praias com altas ondas onde não tem tubarão, eu não sei por que arriscar. A WSL, que é quem organiza o mundial, vai avaliar e tomar as decisões a respeito. Espero que sejam as melhores.

Os surfistas estão expostos a muito perigos. Do que você tem mais medo?

Acho que todo esporte tem um risco. O surfe tem tubarão, o coral embaixo da água, as ondas gigantes. Não é que eu sinta exatamente medo. Eu não penso nessas coisas quando entro na água. Sabemos dos riscos, dá um friozinho na barriga, principalmente nas ondas grandes, mas são coisas que fazem parte do esporte.

O que você acha que o Brasil poderia fazer pelo surfe?

Posso falar dele, visto que tem crescido bastante. Acho que o título mundial ajudou, assim como voltar o circuito brasileiro. As marcas estão acreditando mais.

O governo poderia dar algum tipo de incentivo?

Sempre quis falar sobre isso. Nós, do surfe, não temos ajuda nenhuma do governo. Converso com outros surfistas que estão no WCT sobre como seria positivo o surfe ser incluído nos incentivos. Ia ser bom para o esporte e para o Brasil.

A fama não te desconcentra? Muito se critica esse aspecto nos jogadores de futebol.

É tudo muito novo para mim. Nunca imaginei que pudesse atingir esse lugar. Profissionalmente, este ano eu não tive os resultados que desejava, mas sei que são fases. E faz parte do meu esporte saber viver as vitórias e derrotas. A gente precisa que ter a sabedoria para superar os momentos ruins. / MARÍLIA NEUSTEIN