Atlas da Violência aponta 59 mil homicídios no País em 2015

Sonia Racy

05 de junho de 2017 | 11h30

 

Um retrato atualizado da violência no Brasil, que está sendo divulgado na manhã desta segunda-feira, aponta que, em 2015, ocorreram no País 59.080 homicídios. “Um número exorbitante”, define o próprio relatório. Metade deles foram registrados em apenas 111 cidades (das mais de 5.560). E mais: 48% foram da população mais jovem, entre 15 e 29 anos. Os dados são parte do Atlas da Violência 2017, que o Ipea preparou em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

São 69 páginas, recheadas de estatísticas e análises. Nelas, uma comparação com o resto do mundo: a cada três semanas, naquele ano, foram assassinadas mais pessoas no Brasil do que o total de mortos em todos os 498 atentados ocorridos nos primeiros cinco meses deste ano de 2017 no planeta, quando se contaram 3.314 vítimas fatais. Na análise dos números, os autores detalham a situação mais preocupante de jovens, de mulheres e da população negra. No caso dos jovens, foram 318 mil assassinatos entre 2005 e 2015.

Violência se espalhou

Uma das conclusões do Atlas foi que as altas taxas de homicídios migraram das grandes capitais para cidades médias e pequenas e estão espalhados de alto a baixo no País. Por exemplo, nesses 10 anos pesquisados diminuíram 16% em São Paulo e 13% no Rio, enquanto aumentaram 77% em Sergipe e 75% no Rio Grande do Norte. Outra comparação, feita em cidades com mais de 100 mil habitantes,  revela que, entre as 30 cidades mais pacíficas, 18 são do Estado de São Paulo. A cidade mais violenta do Brasil foi Altamira, no Pará, com a média de 107 mortos por 100 mil habitantes.

O Ipea e o Forum destacam, por fim, “a completa falência do sistema de execução penal nacional” e pedem “um pacto contra os homicídios” por parte das autoridades e da sociedade.