Aplicativo faz ‘match’ entre eleitor e parlamentar

Sonia Racy

23 de maio de 2019 | 00h50

MARIO MELLO

MARIO MELLO. FOTO: WILTON JUNIOR/AGENCIA ESTADO/AGÊNCIA ESTADO

Cresce a adesão ao aplicativo Poder do Voto, criado por Mario Mello no início do ano passado. O executivo trabalhou por 30 anos no mercado financeiro, deixando o PayPal para se dedicar ao que diz ser “um pouco meu sonho”. O projeto, segundo ele, aproveita seu “lado empreendedor, para construir uma tecnologia que aproxima o Congresso de seus eleitores”.

De acordo com o executivo, montou-se um ambiente digital onde se lê opiniões de esquerda e direita, sem a necessidade de revelar cadastro para ninguém. Mello lembra que, na Alemanha, “você debate com o seu deputado, sabe onde ele mora, conversa com ele, anota num papelzinho como ele votou e como você queria que ele votasse”. E essa interação acaba respondendo pergunta importante: “esse deputado representa ou não meus interesses?”

O executivo trabalhou no BankBoston com Henrique Meirelles e no Real com Fábio Barbosa. Passou oito anos no PayPal, primeiro como chefe da empresa no Brasil e, depois, na America Latina. Seu destino era o de subir de posto e ser transferido para fora do País. “Tive muitas dúvidas, amo o Brasil”. Ao conversar com seu coach, ouviu: “Talvez a sua moeda mudou”.

O empresário explica que decidiu entrar para a política em função de várias sinalizações. “Quando eu somei esperança à moeda a ser mudada, percebi qual era minha vontade: a de tentar criar coisas para que tenhamos expectativa de que o Brasil pode melhorar”.

Nessa mudança de rumo, Mello considerou o fato de que existem milhares de leis importantes a serem votadas no Congresso. E que, simultaneamente, a maior parte dos eleitores têm e-mail ou celular. Consciente de que a distância entre os eleitores e o parlamento é muito grande – 70% das pessoas não lembra em quem votou e só volta a pensar em política, por um momento, de quatro em quatro anos – tomou uma decisão: a de criar um debate digital.

Como funciona esse debate? O ex-executivo explica que o eleitor pode entrar no app e conhecer as leis que ainda vão ser votadas. “Você vota antes do seu deputado, por meio do Poder do Voto. Esse deputado recebe um relatório nosso explicando o desejo dos eleitores, que poderão acompanhar se a opção do parlamentar, registrada pelo painel eletrônico do Congresso, é a mesma que a sua”, diz Mello.

O ex-executivo propõe uma reflexão: o eleitor e o parlamentar que o representa pensam igual de fato? “O aplicativo é um instrumento de participação política, de cobrança e de cidadania, mas também dá o retorno ao eleitor, que fica sabendo como seu deputado realmente votou”, conta.

“Tem um certo deputado que eu acompanho que fala uma coisa e faz outra”, afirma ele.

O app lida com a raiva nas redes sociais censurando os mais agressivos? “Defendo o ambiente de diálogo. Deputado é contrato de quatro anos e, como já disse, 70% da população não lembra quem contratou. Vamos tentar resolver esse problema.”

E como é que se gerencia desse contrato? “Criamos um perfil, e quando o deputado vota no painel, eu faço o match”, explica. “Para mim, a parte mais empolgante é a resposta à pergunta: ‘você e o seu deputado pensam igual?’”, concluiu.

Quem sustenta o Poder do Voto? “Somos uma sociedade sem fins lucrativos. Crie um endowment (fundo perpetuo montado para sustentar alguma instituição) e tenho apoio de pessoas físicas. Eu mesmo coloquei R$ 400 mil e arrecadei, por meio de contribuições, R$ 891 mil em doações.”

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