Ao fim de nove horas de sessão, TRF-4 tem o que comemorar

Ao fim de nove horas de sessão, TRF-4 tem o que comemorar

Sonia Racy

25 Janeiro 2018 | 01h00

JULGAMENTO DO EX-PRESIDENTE LULA

JULGAMENTO DO EX-PRESIDENTE LULA. FOTO: REPRODUÇÃO/TRF-4

Ao fim de nove horas de sessão, ontem, o TRF-4 tem o que comemorar, na avaliação de Eduardo Muylaert – criminalista, ex-juiz do TRE paulista e ex-secretário de Segurança de SP.
* Decidiu rápido, sem adiar.
* Começou pontualmente às 8h34. E terminou dentro do prazo previsto.
* Montou uma comunicação profissional, via YouTube, para o País inteiro.
* Não descuidou da organização interna, serviu almoço a todos os envolvidos, poupando advogados de ter que sair do prédio.

A controvérsia continua 
nos tribunais superiores

Muylaert, que fez o balanço da sessão a pedido da coluna, destaca que a controvérsia agora vai continuar nos tribunais superiores. A condenação de Lula, diz ele, agrada a parte da opinião pública, que vê corrupção no seu governo.

Mas desagrada a seus seguidores e, obviamente, à defesa, segundo a qual faltam, à decisão, provas consistentes.

Nos votos, o estilo
de cada desembargador

Além da conhecida severidade da Turma, cada um dos três desembargadores mostrou estilo próprio: “O relator, Gebran Neto, marcou-se pelo detalhamento extensivo. O revisor, Leandro Paulsen, pela clareza, em voto que não foi tão longo.

E o terceiro, Victor Laus, por se empenhar em traduzir tudo em miúdos, de modo altamente pedagógico.”

Além de julgar, todos se empenharam em convencer do acerto da decisão.

Presidente condenado,
um fato inédito  no País

Muylaert pondera que “nenhum advogado se alegra com uma condenação” e que “é muito triste ver um ex-presidente condenado, fato inédito no Brasil”. Agora resta esperar os tribunais superiores, “pois embargos de declaração em geral não alteram nada”.

 

 

 

 

Qualidade dos votos
serve de inspiração 

Boa parte dos juristas paulistas com quem a coluna conversou – e que não quiserem ser identificados – se surpreendeu com a qualidade dos votos dos desembargadores. “Uma inspiração para o STF”, provoca um deles.

Primeiro voto é duas vezes
maior que sentença de Moro

Gebran Neto, no inicio da leitura de seu voto, disse que foi obrigado a ser analítico em prejuízo da síntese. O voto do relator tem 435 páginas. A sentença de Moro, 218.

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