Antônio Massafera, irmão de Matheus, restaura hotel icônico de Salvador

Antônio Massafera, irmão de Matheus, restaura hotel icônico de Salvador

Sonia Racy

04 Março 2017 | 01h30

Fachada restaurada do Fera Palace, em Salvador

Fachada restaurada do Fera Palace, em Salvador

Assim que viu, em Salvador, o histórico Palace Hotel, tempos atrás, Antônio Massafera se apaixonou. Encantou-se com sua arquitetura, estudou os detalhes de art déco, a história do lugar – que chegou a ser cenário de livros de Jorge Amado. Logo começou a pensar em recuperar o prédio e criar ali um moderno ambiente para clientes de alta renda.

O sonho acaba de ser inaugurado: é o Fera Palace, da rede hoteleira Fera Hotéis, cravado no centro histórico da capital baiana. Antonio, que é irmão do apresentador Matheus Massafera, tem vasta experiência em direção de hotéis de luxo, com passagem pelos londrinos Claridge’s, The Berkeley e The Savoy, entre outros. À coluna, ele contou seu trabalho conjunto com a prefeitura para resgatar aquela região de Salvador.

Como surgiu a ideia de restaurar o Palace Hotel? Em uma de minhas viagens à Salvador vi o edifício e fiquei encantado com sua arquitetura. Estudei o estilo art déco, os ambientes referidos em obras de Jorge Amado – e decidi investir na sua compra e restauração. No início tive dúvidas por causa do entorno degradado, mas acreditei que poderíamos contribuir com a revitalização da área, com maior movimento de pessoas, segurança e geração de emprego.

Quem foi o arquiteto escolhido para restaurar o imóvel? O dinamarquês Adam Kudahl, que é especialista em revitalização de imóveis históricos, mas sempre com uma releitura moderna. Adam captou a essência do Palace e conseguiu reconstituir grande parte de seu estilo, incluindo os mais de 240 adornos na fachada, 630 janelas e a monumental escada central, mas sem deixar de lado o conforto e a tecnologia que devem marcar um hotel de alto padrão. Além de instalar uma piscina de fundo infinito na cobertura.

Qual papel espera para o hotel no turismo e economia do lugar? Acredito que a abertura do Fera faz parte de um movimento de resgate de Salvador como destino de alta renda. É muito importante salientar que o hotel é totalmente voltado para a cidade, com dois restaurantes, dois bares e salões de eventos para os soteropolitano. Nós queremos a presença do baiano em nosso hotel.

Conte sobre a rede Fera Hotéis. Como surgiu? Após ter morado muitos anos no exterior, notei que no Brasil não havia uma cadeia de hotéis descolados, informais, com design bacana e alto padrão de serviços. Foi quando me juntei aos meus sócios – investidores brasileiros, dentre os quais Marcelo Lima, controlador da Restoque (Le Lis Blanc, Bobô, John John, Rosa Chá), e da Metalfrio.

Quais os planos futuros para a rede de hotéis? Pensa em novas unidades no Brasil ou mesmo lá fora? Estamos trabalhando agora no projeto Fera Baixo Augusta, em SP. Um retrofit de um prédio de 20 andares que adquirimos naquela região de São Paulo. A personalidade do Fera Baixo Augusta será em estilo downtown, artístico, que é característico da região. O retrofit está previsto para fim de 2018. /SOFIA PATSCH