Anderson Baumgartner revisita sua trajetória cheia de obstáculos até virar agente de famosos

Anderson Baumgartner revisita sua trajetória cheia de obstáculos até virar agente de famosos

Direto da Fonte

06 de junho de 2022 | 05h00

 

Anderson Baumgartner. Foto: WAY Model

Anderson Baumgartner. Foto: Way Model

De órfão necessitado a empresário de sucesso. Anderson Baumgartner, fundador das agências Way Model e Way Star, cuida hoje de nomes como Mônica Martelli, Tatá Werneck e Sasha Meneghel, e de supermodelos como Alessandra Ambrósio, Carol Trentini, Marlon Teixeira e Candice Swanepoel. Ele também já trabalhou com um dos seus grandes amigos o ator Paulo Gustavo – que foi uma das mais de 660 mil vítimas da pandemia de covid no Brasil.

Foi depois de muita análise e de perder Paulo Gustavo, que Dando, como é chamado pelos colegas e profissionais da moda, resolveu escrever sua história. “O Paulo sempre me incentivou a contar a minha história, também foi por causa dele que abri a Way Star, braço na agência para cuidar de atores e influenciadores”, disse.

O empresário prepara uma autobiografia, ainda sem data de publicação, contando sua trajetória, cheia de obstáculos, superação e sorte. Quando tinha apenas dez anos, ele perdeu seus pais, situação que o colocou forçadamente na condição de cuidador de outras crianças. “Meu irmão mais velho, na época com 18 anos, me tirou da escola para cuidar das filhas da namorada dele”, contou à repórter Sofia Patsch, enquanto bebia um dos vários cafezinhos que toma durante o dia. “Sou viciado em café”, ele explicou.

O cenário começou a mudar quando Dando foi adotado por uma nova família, que o tirou da condição de cuidador de crianças para voltar a estudar. “A minha sorte foi que além de ganhar uma nova família, ganhei um irmão, um companheiro de vida”. O empresário se refere ao renomado fotógrafo de moda, Fábio Bartelt, casado com a modelo Carol Trentini, sua agenciada e amiga pessoal. “O Fábio e a Carol são minha família, sou padrinho dos dois filhos deles”, conta emocionado. Confira a seguir os melhores trechos da entrevista.

Por que decidiu abrir sua história para o público?

Foi depois de muita análise e de perder meu grande amigo Paulo Gustavo para a covid-19. Ele sempre me incentivou a contar tudo que me aconteceu, até para trazer esperança para meninos e meninas que estão em situações difíceis em suas cidadezinhas, sem perspectiva de um futuro melhor. A mensagem que eu quero passar é que tudo pode mudar, há sim esperança.

Foi também por causa do Paulo Gustavo que começou a agenciar atores e influenciadores. Você já era amigo dele antes de se tornar seu empresário? Conte-nos.

Sim, foi muito antes. Ele sempre me pedia pra cuidar da imagem dele e eu sempre fugia, falava que cuidava de modelo, não de celebridade. Até que em 2018, durante uma viagem de casais ao Leste Europeu, ele me convenceu. Voltei para o Brasil e abri o novo braço da empresa, a Way Star – nome que o Paulo ajudou a escolher. Meus dois primeiros clientes foram o Paulo e a Monica Martelli, que segue comigo até hoje.

Então já começou a nova agência com nomes fortes do showbiz.

Sim, lembro que logo depois que abri a Sasha (Meneghel) me escreveu pedindo para cuidar dela, na hora respondi que sim, acompanho ela desde que nasceu. E assim fomos montando nosso novo braço, sou muito feliz com ele, amo trabalhar com essas pessoas queridas.

Qual foi a maior diferença entre só cuidar de modelo, top model, e passar a cuidar de influenciador e ator?

Os atores e influenciadores já chegam na agência grandes, não precisamos direcioná-los, já são celebridades, sabem como funciona, qual é o segredo. Já os modelos não, temos que ensinar essas pessoas a serem grandes. E quando a modelo já é muito grande, a gente ensina a ser uma celebridade.

A carreira das modelos mudou muito com a chegada das redes sociais e influenciadoras. Como é cuidar da carreira de uma top hoje em dia?

Antigamente as modelos eram manequins, entravam mudas e saiam caladas do estúdio. Elas não falavam, não tinham voz. Hoje não, elas têm que ter voz. Os clientes querem pessoas engajadas, que agreguem valor à marca deles. Não adianta mais ser só bonita ou bonito. Não adianta. Tem que ter algo mais.

E o estereótipo da modelo também mudou…

Exato, imagine que venho de uma época que a mãe me parava na rua para falar da filha, hoje tem filhas que me param para falar da mãe. Olha que maravilha. Hoje o mercado absorve essas pessoas, elas têm espaço, têm voz, podem falar, estar ali, representando uma marca. É muito legal essa virada da moda. l

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