Âncora perdida

Sonia Racy

10 de setembro de 2015 | 12h39

Se a âncora perdida de Joaquim Levy era mesmo a manutenção do investment grade do Brasil, ela se desprendeu ontem com a decisão da agência Standard & Poor’s de rebaixar o País para grau especulativo.  Ainda que seja necessário mais uma agência fazer o mesmo, para que os fundos internacionais se vejam proibidos de investir por aqui, a paulada foi forte.

Inclusive para fragilizar, de novo, o ministro da Fazenda.

Âncora 2

Apesar de ser uma crônica anunciada, Levy, pelo que se apurou, não previa esse movimento da agência para agora.

Entretanto, no mercado, o rebaixamento já estava precificado há tempos.

Âncora 3

Em palestra fechada, ontem, para uma plateia de consultores em SP, o ministro, talvez pressentindo o momento, tocou justamente no assunto Orçamento. Advertiu ali que a solução para o Brasil não é, simplesmente, cortar aleatoriamente despesas.

Âncora 4

O corte, afirmou ele na palestra, deveria visar um Estado  capaz de prestar serviços mais eficientes à população e garantir maiores oportunidades. E isso passa pela revisão de programas. “É preciso estabelecer a cultura da reavaliação e da análise, como fazem as boas empresas. E o momento mais propício para isso é agora”, disse o ministro.

Não deu tempo.