‘Sofro homofobia direto’, diz cantora Ana Vilela

‘Sofro homofobia direto’, diz cantora Ana Vilela

Sonia Racy

11 de maio de 2021 | 00h40

Ana Vilela. Foto: João Felipe Toledo

Ana Vilela acaba de lançar sua primeira música, das cinco que pretende gravar em 2021. Aos 23 anos, a cantora demonstra estar mais à vontade para tratar de suas inseguranças. O clipe da canção Tanta Gente exibe Ana tatuando a palavra frágil no braço. “A música fala dessa fraqueza que a gente vive e quanto isso virou motivo de vergonha. A gente precisa reconhecer as nossas fragilidades”, disse à coluna em conversa por videoconferência. Lésbica, está incluída em minorias alvo de “haters” na internet. “Eu sofro homofobia direto nesses comentários. Mas tenho muita esperança de que isso vai melhorar, para a gente transformar a internet num espaço melhor, porque é uma coisa muito tóxica.”

No princípio da carreira, desconfiava se conseguiria prosperar: “Eu sou uma mulher que não está no padrão, sou gorda, lésbica, não performo feminilidade. Aos poucos, ela foi vendo que as pessoas estavam cada vez mais abertas a aceitar e a entender. “Hoje tem muito artista aí que é fora do padrão em gênero, no jeito que se veste e está tudo bem”, completa.

O seu fenômeno Trem Bala alcançou 46,2 milhões de streams no Spotify e foi regravado pelo padre Fábio de Melo. A canção Promete esteve entre as músicas brasileiras mais usadas no stories do Instagram como fundo musical de posts. Sobre as críticas de que as músicas são sentimentais, doces ou rimam demais, ela contemporiza: “Você vai ficando calejada”. Quando Trem Bala estourou, ela tinha 18 anos, era muito caseira e de poucos amigos “do nada tinha muita gente querendo dar opinião sobre o meu trabalho que eu não pedi”, conta. “Hoje, eu vejo que se a pessoa escreve um comentário maldoso nas redes sobre mim, isso tem muito mais a ver com ela do que comigo. Não dá para agradar todo mundo.”

Nascida em Londrina, a cantora desde os quatro anos se sentia atraída por instrumentos musicais. Seu avô adorava sertanejo e na juventude, com amigos, desenvolveu gosto pela MPB. Fã de Liniker, Milton Nascimento e Luiz Gonzaga, planeja turnê de shows quando a pandemia de covid-19 permitir: “Tenho cinco anos de carreira, estou começando a vida, acabei de me casar, tem muito lugar que não toquei, lançamentos que ainda não atingiram o que queria. Quero que as pessoas conheçam a Ana, além do Trem Bala. A canção me trouxe até aqui e sou muito grata pelo que fez por mim, mas me vejo muito ansiosa para mostrar outras coisas.” /PAULA BONELLI

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