Amor e luta

Sonia Racy

08 de março de 2012 | 00h01

Para falar sobre o Dia Internacional da Mulher, a coluna escolheu a ex-ministra, ex-senadora e candidata verde à presidência nas eleições de 2010, Marina Silva. Que, em meio ao gigante embate sobre o Código Florestal, encontrou espaço na agenda para a entrevista a seguir:

A data faz diferença? Ou reforça a discriminação?

Datas simbólicas sempre fazem diferença. Diferença positiva. Elas nos lembram de questões não resolvidas que nos são caras. O Dia Internacional da Mulher é uma homenagem à nossa capacidade de realização. Somos 51% da população e queremos nossos direitos.

Por que não existe o Dia Internacional do Homem?

Porque o dominador não precisa de dia. A data é um grito do dominado, a dizer “eu estou aqui, eu existo”. É o marco que mostra algo que permanece incoerente com a diversidade da existência.

O que ainda precisa ser feito em relação aos direitos das mulheres brasileiras?

Salários iguais, por exemplo. Ainda ganhamos 25% menos do que os homens. E muitas de nós não conseguem empregos porque… engravidam. O importante é estabelecer a igualdade com o homem, mas sem perder o direito à diferença, que é inalienável. Eis a contradição.

Quando as mulheres forem tratadas de maneira igual aos homens, este dia poderá ser cortado do calendário?

Quando o meio ambiente for cuidado todos os dias, talvez não seja preciso um dia para ele. Serve para as mulheres também. Quando esse dia chegar, que se torne parte da nossa memória histórica. Porque a busca deve ser pelo “dia do ser humano”.

Que mensagem a senhora daria às brasileiras neste dia?

Não é possível amar mais o outro do que a si mesma. Por isso, lutem. É legítimo continuar buscando a interação social que merecemos. /DANIEL JAPIASSU

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