“Aluno requer prática, não ideologia”, afirma Viviane Senna

Sonia Racy

27 de abril de 2019 | 00h20

De cada 10 alunos, dos 50 milhões da educação básica, no Brasil, cinco não terminam o curso. Apenas três sabem português e só um sabe matemática. Essa é a realidade que o MEC precisa enfrentar, para tirar o País dos últimos lugares em todos os rankings de educação do planeta. Viviane Senna, presidente do Instituto Ayrton Senna – que ela criou logo após a morte do irmão, em 1994 – fez disso uma cruzada pessoal. E hoje comanda luta que envolve 1,5 milhão de crianças e jovens, impactando 40 mil educadores em 700 cidades do País.

Na quarta que vem, 1.º de Maio, o instituto promove em Interlagos evento duplo para marcar os 25 anos da morte do grande ídolo do brasileiro em 1994, na Itália. Ele inclui um pacote de atividades esportivas e culturais – e, em paralelo, o início da campanha “Valorização do Professor”. Nesta entrevista, Viviane destaca os quatro pontos que considera “os motores” para levar a educação no Brasil a um patamar melhor: alfabetização, professor, gestão eficiente da educação e base em evidências. O bom professor precisa, diz ela, “de uma boa formação prática, não teórica, ideológica, como vem ocorrendo no Brasil”.

Como foi viver esses 25 anos sem Ayrton? “A saudade sempre estará presente em todos nós. Suas conquistas, dentro e fora das pistas, marcaram nossa família e todos os brasileiros. Acho que nem ele nem esse grande legado de valores serão esquecidos”. Viviane resumiu, na conversa, o que falou com o presidente Bolsonaro no encontro que tiveram após as eleições: “Ele me pediu um diagnóstico da educação brasileira. O que mostramos foi que o Brasil tem 50 milhões de alunos na educação básica e, de cada 10 , só cinco terminam a educação básica. Se fosse um hospital, de cada 10 pacientes que entram só cinco sairiam vivos. E dessa metade que ficou na escola, apenas três em cada 10 sabem português e só um sabe matemática adequadamente”.

Para mudar o cenário, ela menciona quatro “motores”: alfabetização, professor, gestão eficiente da educação e base em evidências” que podem tirar o Brasil das últimas posições nos rankings mundiais de educação. De que forma? “No ensino médio, o instituto desenvolveu um modelo inovador que, implementado, poderia elevar o nível do País no Pisa, em poucos anos, das últimas colocações ao nível dos EUA. E quanto a salário e carreira? “Ambos precisam estar atrelados a resultados de alunos, e não a número de títulos. A experiência mostra que estes itens não estão relacionados à melhora de aprendizagem.”

O que pretende a campanha “Valorizar o Professor”? Segundo ela, destina-se a reposicionar alguém que é responsável por 70% da aprendizagem do aluno. Além de trabalhar com o desenvolvimento de competências clássicas – ler, escrever, calcular, ter raciocínio lógico –, o instituto desenvolve as chamadas habilidades socioemocionais ou soft skills, extremamente importantes para as crianças darem certo não só na escola, mas também na vida. Criatividade, colaboração, trabalho em time, persistência, foco, iniciativa e flexibilidade, segundo a educadora, “são habilidades decisivas para o século 21”. / GABRIEL MANZANO

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