Aliança de Estela

Aliança de Estela

Sonia Racy

21 Julho 2012 | 01h00

PAULO GIANDALIA/AE

Ana Estela Haddad elabora propostas de saúde para o programa de governo do marido, Fernando Haddad, com quem está casada há mais de duas décadas. Agora, mergulha de vez na campanha do PT à Prefeitura. Ela explica suas razões.

De quem foi a ideia de você pedir licença da Faculdade de Odontologia da USP?

A decisão foi minha. O Fernando está satisfeito, é sempre um olhar complementar.

É uma mudança grande ser mulher de candidato?

Você perde um pouco de privacidade, mas não sentimos uma grande mudança. Já vivemos essa situação em Brasília – fomos figuras públicas, tanto ele quanto eu.

Você dá pitacos no visual e no discurso dele?

Opino quando ele me pergunta. Outro dia, falei: “Esse sapato não dá”. Como vem da academia, o Fernando tem uma forma de falar professoral. No palanque, procura ser mais direto.

Como melhorar a saúde em São Paulo?

O documento do Grupo de Trabalho da Saúde reforça as diretrizes nacionais: criar a rede de atenção estruturada, melhorar a gestão, reforçar a atenção básica e o sistema de urgência e emergência, que está crítico.

É verdade que você é uma crítica feroz do Kassab?

É mito. Não gostaria de me posicionar dicotomicamente em relação à gestão; prefiro olhar prospectivamente.

O que achou da saída de Luiza Erundina da chapa?

Foi uma surpresa. Comemoramos quando foi anunciada a entrada dela na campanha. Erundina disse coisas em que acreditamos, relacionadas às razões pelas quais estamos nesse processo – que não é sem dor, você paga um preço.

Ficou decepcionada?

Num primeiro momento, sim. Não foi fácil diante da opinião pública, mas está superado. Eu confio na providência, nada é por acaso.

Por providência, quer dizer providência divina?

Forças do universo, de Deus, o que cada um quiser chamar. Tenho formação católica, mas me afastei de alguns ritos. Tenho minhas crenças, faço orações.

Como vê a participação de seus filhos na campanha?

Tem de haver uma medida. Eles não têm de estar alheios, mas não gostaria de uma superexposição. O Frederico é adulto, mas a Carol tem 12 anos.

A participação do Lula é menos intensa por causa da saúde dele. Foi um baque?

O Fernando tem a noção da importância do Lula, mas o gesto que o presidente fez foi o convite. Agora, disputar é tarefa do Fernando. Ele tem de estar na linha de frente. Chega low profile, mas gosta de conduzir os espaços que ocupa.

Por que acha que Lula fez o convite ao seu marido?

Em primeiro lugar, pelo trabalho dele no Ministério da Educação. O Fernando se preparou para pensar a coisa pública. A trajetória acadêmica não é uma trajetória desprovida de um pensar político. Ele se preparou para tudo isto que está aí. /MIRELLA D’ELIA E PAULA BONELLI