Alexandre Borges volta a atuar no Teatro Oficina 30 anos depois

Alexandre Borges volta a atuar no Teatro Oficina 30 anos depois

Marcela Paes

07 de maio de 2022 | 02h00

Alexandre Borges em cena como Vladimir, na montagem do Teatro Oficina da peça ‘Esperando Godot’. Foto: Jennifer Glass

Dois retornos marcam o ano de Alexandre Borges. O primeiro, aos palcos, depois da liberação das restrições impostas pela pandemia de covid. O segundo é a volta, 30 anos depois, ao Teatro Oficina, sede da companhia de teatro de mesmo nome. “É como se um filme passasse na minha mente, foi um lugar muito importante pra mim”, diz o ator.  

 Sua estreia no grupo foi como o rei Cláudio, na montagem de Hamlet, em 1993 – ano em que o teatro reabriu com o atual projeto arquitetônico de Lina Bo Bardi e Edson Elito. Agora, ele e Marcelo Drummond encarnam a dupla Vladimir e Estragão, de Esperando Godot no Fim do Mundo.  

 Curiosamente, Drummond também contracenou com Borges em sua estreia, no clássico de Shakespeare. “Na época eu fazia parte de outro grupo de teatro e fiquei surpreso e muito animado com o convite do Zé Celso. É legal porque minha enteada, Luiza, também fez parte do Oficina e na época em que eu trabalhava aqui com a Julia (Lemmertz, ex-mulher do ator) ela era criança”, diz Borges.

Atuar em uma montagem de Godot era um sonho antigo do ator. Ele conta que tem “fascínio” pela peça de Samuel Beckett, em cartaz no Oficina até o dia 19 de junho, depois de temporada no Sesc Pompeia.  

 Na montagem de Zé Celso Martinez Corrêa – que logo no início traz um vídeo com imagens de cenas contemporâneas como os temporais em Petrópolis, a guerra na Ucrânia e Bolsonaro usando um cocar –, a morte de Godot é “decretada”. Na opinião de Borges, o ato mostra, mais uma vez, o lado visionário do diretor de 85 anos.  

 “Na vida nós estamos acostumados a esperar. Esperar que um relacionamento nos faça felizes, que um trabalho nos faça mais contentes. E nos últimos anos tivemos que esperar ainda mais. Esperamos as vacinas, esperamos a cura. O que o Zé mostra é que talvez seja a hora de agirmos, de andarmos com as nossas próprias pernas. Godot já veio, agora é com a gente”.

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